quinta-feira, 10 de março de 2011

DESAFIO DE ASSUMIR A CAUSA DE JESUS

Nos evangelhos de Marcos e Mateus, após esta fala de Jesus sobre o sofrimento que o espera em Jerusalém, da parte dos chefes do judaísmo, Pedro, sob a ideologia do messias poderoso, censura Jesus por se dispor a tal. Jesus retribui a censura de Pedro com outra mais contundente: a proposta messiânica que domina Pedro é de satanás, é uma pedra de tropeço, e é fruto de puros interesses humanos. Lucas, em seu evangelho, omite este conflito entre Pedro e Jesus. Jesus insiste em fazer seus discípulos compreenderem que sua missão é libertar os cativos e restaurar a vida dos excluídos, sem restrições de caráter religioso ou racial. Por isto Jesus adverte os discípulos de que, em Jerusalém, sofrerá a repressão dos representantes do poder religioso da Judéia, os anciãos, sumo-sacerdotes e escribas. O poder, quando se sente ameaçado, reage perseguindo e matando aqueles que promovem a libertação dos oprimidos. Neste tempo de quaresma o evangelho nos lembra que seguir Jesus é renunciar aos projetos de sucesso econômico oferecido aos incluídos no sistema neo-liberal e colocar sua vida a serviço dos excluídos, na construção de um mundo novo, fraterno e partilhado.

quarta-feira, 9 de março de 2011

PAPA ENVIA MENSAGEM AO BRASIL PARA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

A CNBB divulgou nesta quarta-feira, 9, a mensagem do Papa Bento XVI sobre a Campanha da Fraternidade (CF) 2011, vivida pela Igreja no Brasil neste Tempo da Quaresma.

Reforçando o tema proposta pela CF deste ano: "Fraternidade e vida no Planeta", o Santo Padre pede uma "mudança de mentalidade e atitudes para a salvaguarda da criação".

Bento XVI destaca que o primeiro passo para uma "reta relação com o mundo" é o reconhecimento, por parte do homem, "da sua condição de criatura". Sendo assim, ele deve buscar ser "mais sensível à presença de Deus naquilo que está ao seu redor: em todas as criaturas e, especialmente, na pessoa humana há uma certa epifania de Deus".

"O homem só será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver no seu espírito um sentido pleno da vida; caso contrário, será levado a desprezar-se a si mesmo e àquilo que o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela criação. Por isso, a primeira ecologia a ser defendida é a 'ecologia humana'", destacou o Papa, ao citar o trecho de sua Encíclica Caritas in Veritate.

De fato, o Santo Padre afirma que, sem uma clara defesa da vida humana, "nunca se poderá falar de uma autêntica defesa do meio-ambiente".

Por fim, Bento XVI destaca que o dever de cuidar do meio-ambiente é um "imperativo que nasce da consciência de que Deus confia a Sua criação ao homem não para que este exerça sobre ela um domínio arbitrário, mas que a conserve e cuide como um filho cuida da herança de seu pai, e uma grande herança Deus confiou aos brasileiros".

CATEQUESE: Jejum e caridade são as duas asas da oração, destaca Bento XVI

O Papa Bento XVI recebeu na Sala Paulo VI, no Vaticano, nesta Quarta-feira de Cinzas, 9, início da Quaresma, milhares de fiéis e peregrinos para a habitual Audiência Geral.

O Papa frisou, na Catequese de hoje, que com "a imposição das cinzas iniciamos o Tempo da Quaresma, autêntico itinerário espiritual que nos prepara para celebrar o mistério pascal de Cristo". Além disso, ressaltou que, neste tempo litúrgico, as penitências praticadas pelos fiéis significam sinais externos da rejeição ao mal e da "fome" da Palavra de Deus.

E ao destacar que a caridade santifica o jejum, o Pontífice explicou que o jejum e a caridade são como "duas asas da oração".

"As leituras da Quaresma deste ano são uma esplêndida catequese que nos ajudam a redescobrir a graça do Batismo. Elas nos convidam a renovar a nossa fidelidade a Deus e abandonar as nossas seguranças humanas para nos confiar completamente no Senhor", disse ainda Bento XVI.

Ao definir, segundo a tradição da Igreja, o que é o tempo quaresmal, caracterizado pelo jejum, caridade e oração, o Santo Padre explica o que significa o rito das cinzas: "As cinzas nos convidam à penitência e à conversão. Através do Batismo, passamos das trevas à luz de Cristo, tornando-nos filhos de Deus, chamados a viver do Espírito do Ressuscitado".

Bento XVI convidou todos os fiéis a seguirem Cristo, que renova constantemente o nosso compromisso batismal. "Que também nós possamos nos dedicar intensamente à oração e à meditação da Palavra de Deus! Abandonando o homem velho que está em nós, poderemos celebrar com dignidade a Ressurreição do Senhor", disse também o Pontífice.

QUARESMA NÃO É TEMPO DE TRISTEZA, MAS UM DOM DE DEUS, AFIRMA PAPA

Nesta Quarta-feira de Cinzas, o Papa Bento XVI celebrou a Missa da imposição das cinzas, na Basílica de Santa Sabina All’Aventino, em Roma. Após percorrer a tradicional procissão penitencial entre a Igrejas de Santo Anselmo e a Basílica de Santa Sabina, o Santo Padre iniciou a celebração que abre o tempo quaresmal em toda a Igreja.

Durante a homilia, o Papa falou que a Quaresma não é um tempo de tristeza, mas um dom precioso de Deus; é um tempo forte repleto de profundos significados no caminho da Igreja, no itinerário da Páscoa do Senhor.

“Hoje, ressoa para nós o apelo: ‘Retorneis a mim com todo o coração’. Hoje somos nós a sermos chamados a converter o nosso coração a Deus, conscientes sempre de não poder realizar a nossa conversão sozinhos, com as nossas próprias forças, porque Deus que nos converte”, enfatizou o Pontífice.

Ao meditar sobre a segunda leitura de hoje - em que diz “Deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5,20) - Bento XVI afirmou que este é o dinamismo do coração contrito, atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus que nos chamou primeiro.

O Papa acrescentou ainda que Jesus não pede, neste tempo, um respeito formal a uma lei estranha ao homem, imposta por um legislador severo como um fardo pesado, mas convida a redescobrir as obras de piedade, vivendo-as em modo mais profundo, não por amor próprio, mas por amor a Deus, como meio de entrar no caminho de conversão a Ele.

“Esmola, oração e jejum: é o tratado da pedagogia divina que nos acompanha, não somente na Quaresma, em direção ao encontro com o Senhor ressucitado, mas algo que nos leva a percorrer sem ostentação, na certeza que o Pai celeste sabe ler e ver também o segredo do nosso coração”, explicou também o Santo Padre, ao definir e convidar os cristãos a exercitarem estas práticas de caridade.

Bento XVI encerrou a homilia fazendo um apelo para que todos os fiéis vivam com mais empenho a conversão, intensifiquem a escuta da Palavra de Deus, a oração e a penitência, abrindo, assim, o coração para que seja dócil à acolhida da vontade divina.

SANTO DO DIA - Santa Francisca Romana

Francisca Romana tem uma importância muito grande na história da Igreja, por ser considerada exemplo de mulher cristã a ser seguido por jovens, noivas, esposas, mães, viúvas e religiosas, pelo modelo que foi.

Francisca Bussa de Buxis de Leoni nasceu em 1384, em uma nobre e tradicional família romana cristã e, desde jovem, manifestou a vocação para uma vida de piedade e penitência. Queria ser uma religiosa, mas seu pai prometeu-a em casamento ao jovem Lourenço Ponciano, também cortejado por ser nobre e muito rico. Contudo, era um bom cristão e os dois se completaram, social e espiritualmente. Tiveram filhos, cumpriam suas obrigações matrimoniais com sobriedade e serenidade, respeitando todos os preceitos católicos de caridade e benevolência. Dedicavam tanto tempo aos pobres e doentes que sua rica casa acabou se transformando em asilo, ambulatório, hospital e albergue, para os necessitados e abandonados.

O casal teve seis filhos que deveriam ser apenas fontes de felicidade para os pais, porém acabaram por se tornar a origem de muita dor e sacrifício. Numa sucessão de acontecimentos Francisca viu morrer três de seus filhos. Roma, naquela época, atravessou períodos terríveis de sua história, sendo flagelada por duas guerras, revoluções, epidemias, fome e miséria. Francisca ainda assistiu outro dos filhos ser feito refém, enquanto o marido se tornava prisioneiro, depois de ferido na guerra. Mesmo assim, continuou sua obra de caridade junto aos necessitados, vendendo quase tudo que tinha para mantê-la. Foi justamente nesse período que recebeu o título de "Mãe de Roma".

Freqüentava a igreja de padres beneditinos de Santa Maria Nova e ali reuniu as ricas amigas da corte romana para trabalharem em benefício da sociedade. Mesmo sem vestirem hábito algum, sem emitirem votos e sem formarem uma família religiosa, pois, viviam uma vida normal de mães e donas de casa, mas encontrando tempo para se dedicarem à comunidade carente. Quando o marido morreu, Francisca entregou-se de maneira definitiva à vida religiosa, fundando com algumas dessas companheiras, também viúvas, a Ordem das Irmãs Oblatas Olivetanas de Santa Maria Nova.

Tinha cinqüenta e seis anos quando morreu, no dia 09 de março de 1440, depois de ser eleita superiora pelas companheiras de convento. Sua biografia oficial registra ainda várias manifestações da graça do Senhor em sua vida, como a presença constante e real de um anjo da guarda.

Foi proclamada Santa Francisca Romana em 1608 e considerada mística, pela Igreja. Narram os registros que, quando morreu, foram necessários três dias para que toda a população de Roma pudesse visitar seu caixão, de tanto que era admirada e querida pelo povo, devotos e fiéis.

CONVERSÃO - Mateus 6,1-6.16-18

A quaresma, que se inicia hoje, é um tempo privilegiado de conversão. É o tempo de firmarmos cada vez mais nossa opção pelo seguimento de Jesus, abandonando os apelos e seduções do mundo sob controle dos ricos poderosos. Encontramos a origem da quaresma na tradição sacrifical do Primeiro Testamento, segundo a qual a reconciliação com Deus se faz pelo sofrimento. Contudo, a essência da conversão é a mudança de vida, vivendo o amor com os objetivos fundamentais da fraternidade, da justiça, da solidariedade, a serviço da vida. As piedosas práticas dos chefes de Israel, a esmola, a oração, e o jejum, não iam além de aparências. O jejum e a esmola significam abandonar o consumo do supérfluo e partilhar os bens com os necessitados e carentes. A oração agradável a Deus é aquela que move ao cumprimento da vontade do Pai, que quer vida plena para todos

terça-feira, 8 de março de 2011

CATOLICISMO: única religião monoteísta que reverencia uma mulher

Dentro das religiões monoteístas, o catolicismo é a única que presta reverência a uma mulher tendo esta um papel fundamental. “A grande fé cristã se resume nessa formula: Jesus Cristo nasceu e ressuscitou para a nossa salvação, mas Ele entra no mundo através de uma mulher: Maria”. É o que explica o antropólogo e doutor em teologia, professor Lino Rampazzo.

Segundo o teólogo, a Virgem Maria tem um papel determinante na Bíblia. No Novo Testamento e nos Atos dos Apóstolos, explica o professor, ela aparece poucas vezes, mas em momentos fundamentais: anunciação, nascimento de Cristo, primeiro milagre nas Bodas de Caná, aos pés da cruz e no nascimento da Igreja, no Pentecostes.

O estudioso destaca ainda é Maria a mulher que mostra os cumprimentos das palavras do Antigo Testamento, exemplo de fé e obediência: Ela reza os Salmos, cumpres os preceitos religiosos levando o menino Jesus ao Templo, e ao mesmo tempo é aquela que acolhe e medida as palavras de Cristo em seu coração.

Por meio dos quatro dogmas - virgindade, imaculada conceição, maternidade divina e assunção ao Céu - a Igreja Católica apresenta essa mulher extraordinária que é Maria, enfatiza o teólogo, e todos esses dogmas leva a Cristo. “Ao mesmo tempo que Deus é quem dá a Salvação Ele pede a colaboração humana, pedindo a Maria sua colaboração, e ela se mostra disposta e acredita. E tudo isso nos vem pelas mãos de uma mulher”, afirma.

E dizer que Maria é a mãe de Deus, para o professor, é a forma mais fácil de entender que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: “Virgem mãe filha do seu Filho”.

A visão de Maria assunta no céu mostra aos cristãos que a meta de todos não está na vida presente, como ressalta o professor, ao afirmar também que ela é aquela que participou primeiramente da salvação de Cristo, por meio dessa assunção.

“Não podemos dizer que falar de Maria nos afasta de Cristo porque tudo que é grande em Maria tem seu fundamento em Cristo”, destaca Lino Rampazzo.

AS MULHERES DA BÍBLIA

O doutor em teologia salienta também a forte presenta feminina na Bíblia, lembrando as mulher que acompanhava Jesus e os apóstolos. “No momento mais difícil quando Jesus dá seu supremo testemunho na cruz há somente um homem presente e todas as outras eram mulheres. E no dia da ressurreição são as mulheres que vão no túmulo de Jesus”, elucida o professor.

Santo Ambrósio, por exemplo, define a importância de Maria Madalena chamando-a de “apóstola dos apóstolos”, justamente porque é ela quem anunciou a ressurreição aos discípulos.

AS GRANDES MULHERES DA IGREJA

Já no Livro do Gênesis, quando é explicada a criação da humanidade, Deus mostra o papel do homem e da mulher. “Dizer que mulher saiu da costela do homem, significa mostrar que ela não está acima ou abaixo, mas ao lado, a mulher é a companheira do homem, ela o completa. O homem não conseguiria traduzir todos os dons da humanidade se não colocasse a mulher ao seus lado”, enfatiza o teólogo.

Para Lino Rampazza, a mulher é o coração da sociedade e o seu maior dom é a afetividade; sem ela a sociedade seria fria e não perceberia todos os aspectos da realidade.

“Se olharmos as figuras dos grande homens, vemos ao seu lado a figura de uma mulher. Muitas vezes é uma mãe, esposa, uma filha, uma figura de uma mulher que o fez entender e agir melhor na sociedade”, destaca.

No decorrer dos séculos, as mulheres desempenham papéis de grande importância e notoriedade na Igreja e na sociedade. Entre elas, destacam-se as doutoras da Igreja - Santa Catarina de Sena, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Teresa d'Ávila – , as grandes santas como Santa Clara de Assis, Santas Perpétua e Felicidade, as mártires Santa Águeda e Santa Luzia, e as grandes mulheres católicas do século XX como Madre Teresa de Calcutá e Chiara Lubich.

MULHER, O TEU DIA É HOJE!

Prepara-te...

O dia vai raiar
e logo terás que segurar
as rédeas do mundo novamente.

Corre...
Aguardam teu sorriso, teu colo,
teus conselhos que nunca falham,
tua crença quase infantil na vida,
tua intuição,
teu amor que tende apra o infínito.

O dia está apenas começando...
Vais precisar de garra
pra dividir, pra conquistar,
para ser sempre mais que uma
onde chegar.

Vamos...
Apresse o passo.
A vida te espera.
O "não" anseia transformar-se em "sim",
o dia é hoje, ainda há o que cativar,
terrenos férteis por onde terrás de caminhar.

O tempo passa depressa demais...
Agarra tua chance de mostrar
que nada há de mais perfeito
que a tua graça herdada
para a tarefa de modelar o mundo.

Acredite...
Tu és mulher e podes tudo
porque tens tua força gerada
na mansidão do amor

Ione Fabiano

"Nenhum homem se aproxima, nem de longe, do amor e da compaixão de que uma mulher é capaz".
Teresa de Calcutá

SANTO DO DIA - São João de Deus

João Cidade Duarte nasceu no dia 08 de março de 1495 em Montemor-o-novo, perto de Évora, Portugal. Seu pai era vendedor de frutas na rua. Da sua infancia sabemos apenas que, João, aos oito ou fugiu ou foi raptado por um viajante, que se hospedou em sua casa. Depois de vinte dias, sua mãe não resistiu e morreu. O pai acabou seus dias no convento dos franciscanos, que o acolheram.

Enquanto isso, João foi à pé para a Espanha rumo à cidade de Madrid, junto com mendigos e sanltimbancos. Nos arredores de Toledo, o viajante o deixou aos cuidados de um bom homem, Francisco Majoral, administrador dos rebanhos do Conde de Oropesa, conhecido por sua caridade. Foi nessa época que ganhou o apelido de João de Deus, porque ninguém sabia direito quem era ou de onde vinha.

Por seis anos Francisco o educou como um filho, ao lado de sua pequenina filha. Dos catorze anos até os vinte e oito João trabalhou e viveu como um pastor. E quando Francisco decideu casa-lo com sua filha, de novo ele fugiu, começando sua vida errante.

Alistou-se como soldado de Carlos V e participou da batalha de Paiva, contra Francisco I. Vitorioso, abandonou os campos de batalha e ganhou o mundo. Viajou por toda a Europa, foi para a África, trabalhou como vendedor ambulante em Gibraltar. Então, qual filho pródigo, voltou à sua cidade natal, onde ninguém o reconheceu, pois os pais já tinham falecido; novamente rumou à Espanha, onde abriu uma livraria em Granada.

Nessa cidade, em 1538, depois de ter ouvido um inflamado sermão proferido por João d'Ávila, que a Igreja também canonizou, arrependido dos seus pecados e tocado pela graça, saiu correndo da igreja, e gritou: "misericórdia, Senhor, misericórdia". Todos riram dele, mas João de Deus não se importou. Distribuiu todos os seus bens aos pobres e começou a fazer rigorosas penitências. Tomado por louco foi internado num hospital psiquiátrico, onde foi tratado desumanamente. Depois de ter experimentado todas as crueldades que aí se praticavam e orientado por João d'Ávila decidiu fundar uma casa-hospitalar, para tratar os loucos. Criou assim uma nova Ordem religiosa, a dos Irmãos Hospitaleiros.

Ao todo foram mais de oitenta casas-hospitalares fundadas, para abrigar loucos e doentes terminais. Para cuidar deles, usava um processo todo seu, sendo considerado o precursor do método psicanalítico e psicossomático, inventado quatro séculos depois por Freud e seus discípulos. João de Deus, que nunca se formou em medicina, curava os doentes mentais utilizando a fé e sua própria experiência. Partia do princípio de que curando a alma, meio caminho havia sido trilhado para curar o corpo. Ele sentia a dualidade da situação do doente, por te-la vivenciado dessa maneira. João de Deus sentia-se pertencer ao mundo dos loucos e ao mundo dos pecadores e indignos e, por isso, se motivou a trabalhar na dignificação, reabilitação e inserção de ambas as categorias. Um modelo de empatia e convicções profundas tão em falta, que várias instituições seguiram sua orientação nesse sentido, tempos depois e ainda hoje.

Depois, João de Deus e seus discípulos passaram a atender todos os tipos de enfermos. Seu mote era: "fazei o bem, irmãos, para o bem de vós mesmos". Ele morreu no mesmo dia em que nasceu, aos cinqüenta e cinco anos, no dia 8 de março de 1550. Foi canonizado pelo Papa Leão XIII que o proclamou padroeiro dos hospitais, dos doentes e de todos aqueles que trabalham pela cura dos enfermos.

Hoje a Ordem Hospitaleira São João de Deus, é um instituto religioso, internacional, com sede em Roma, composto de homens que por amor a Deus se consagram à hospitalidade misericordiosa para com os doentes e necessitados em quarenta e cinco países dos cinco continentes.

A PERGUNTA SOBRE OS IMPOSTOS - Marcos 12, 13-17

Quem mandou estes fariseus e herodianos para espionar e acusar Jesus certamente foram os sacerdotes e anciãos, proprietários de terras, que formavam o Sinédrio, conselho supremo do povo judeu, sediado no Templo de Jerusalém. Com as palavras bajuladoras com que eles se dirigem a Jesus, o evangelista Marcos realça a hipocrisia deles. O imposto de César era exigido dos judeus como sinal de sua submissão ao imperador, que se revestia de divindade. Qualquer pronunciamento categórico de Jesus em relação ao imposto, ou o colocaria contra o poder romano ou o desacreditaria diante do povo. Diante da moeda trazida a ele, Jesus conclui: "Devolvei a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Jesus fala em "devolver" e não "pagar". E também faz a clara distinção: César não é Deus. A César a moeda na sua materialidade, a Deus o seu povo com a sua vitalidade. Seguindo Jesus abandona-se a ambição do dinheiro injusto, dedicando-se ao serviço da libertação e da promoção da vida do povo de Deus.

domingo, 6 de março de 2011

ÂNGELUS: "Quem pode responder às inquietudes do coração?", reflete Papa

"Quem pode responder, verdadeiramente, às inquietudes do nosso coração?", foi a pergunta do Papa Bento XVI aos fiéis presentes na Praça São Pedro, no Vaticano, para o Angelus deste domingo, 6.

O Santo Padre refletiu sobre o Evangelho de hoje, que fala sobre a casa construída na areia e a outra na rocha, e afirmou que o homem, muitas vezes, prefere "as areias das ideologias, do poder, do sucesso e do dinheiro, esperando encontrar estabilidade e a resposta para a demanda irrefreável de felicidade e realização que carrega na própria alma".

Diante disso, Bento XVI destacou que "Cristo é a rocha da nossa vida!" e somente a Palavra de Deus pode tirar o homem de "um ativismo superficial, que pode satisfazer por um momento o orgulho, mas que, no final, deixa um vazio e insatisfação".

"O Deus invisível, no seu grande amor, fala com os homens como a amigos e se entretém com eles, e os convida a comunhão com Ele", destacou o Santo Padre, que explicou que todo homem é destinatário da Palavra de Deus, e é "chamado a entrar neste diálogo de amor com uma livre resposta".

"Aqueles que têm a graça de conhecer Jesus, especialmente através da leitura dos Santos Evangelhos, permanecem fascinados, reconhecendo que em Sua pregação, Seus gestos, em Sua Pessoa, se revela o verdadeiro rosto de Deus, e ao mesmo tempo nos releva a nós mesmos, e faz-nos sentir a alegria de ser filhos do Pai do céu, indicando-nos a base sólida sobre a qual construir nossas vidas", afirmou.

Por fim, o Papa convidou os fiéis a "dar espaço, a cada dia, para a Palavra de Deus", a se nutrirem dela e a meditarem-na constantemente.

SANTO DO DIA - Santa Rosa de Viterbo

Rosa viveu numa época de grandes confrontos, entre os poderes do pontificado e do imperador, somados aos conflitos civis provocados por duas famílias que disputavam o governo da cidade de Viterbo. Ela nasceu nesta cidade num dia incerto do ano de 1234. Os pais, João e Catarina, eram cristãos fervorosos. A família possuía uma boa propriedade na vizinha Santa Maria de Poggio, vivendo com conforto da agricultura.

Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana, ainda muito pequena. Ela era uma criança carismática, possuía dons especiais e um amor incondicional ao Senhor e a Virgem Maria. Dizem que com apenas três anos de idade transformava pães em rosas e aos sete, pregava nas praças, convertendo multidões. Aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, por causa de uma visão em que Nossa Senhora assim lhe determinava.

No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, um herege, que negava a autoridade do Papa e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé, e vários hereges se converteram. Com suas palavras confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais.

Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu.

No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois desta cerimônia a Santa só foi "canonizada" pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada.. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi "canonizada" pelo povo.

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana . No Brasil ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália.

IMPORTANTE É FAZER A VONTADE DE DEUS - Mateus 7, 21-27

Concluindo o Sermão da Montanha, Jesus fala sobre a necessidade de por em prática tudo que foi ouvido e que é a expressão da vontade do Pai. Deus não quer de seus fieis exuberantes atos de louvor ou espantosos feitos. Existem devoções às ostensivas invocações do nome de Jesus e às espantosas narrativas de expulsões de demônios e de milagres de Jesus. Contudo estas devoções podem dar uma satisfação pessoal que leva à omissão das práticas essenciais que realmente agradam a Deus. Sob a categoria de juízo final, ficam descartados os grandes prodígios (profecias, expulsão de demônios, milagres) prevalecendo apenas o critério de por em prática as palavras de Jesus, que revelam a vontade de Deus. Tal prática supera o antigo cumprimento da Lei, com suas ameaças de maldições (primeira leitura), pois é chegado o tempo da graça (cf. segunda leitura), alcançando-se a comunhão com Deus na prática do novo mandamento do amor, amando como Jesus nos amou. O empenho em fazer a vontade do Pai não acontece como coação por cumprimento de obras da lei, sob ameaças, e obediência a um deus tirano. Este empenho se faz com liberdade de opção e com a alegria de levar o amor humano à sua plenitude, seguindo os caminhos de Jesus. Neste texto de Mateus vemos que a fidelidade a Jesus está na prática da vontade do Pai que está nos céus. É isto que se pede na oração do Pai Nosso. Jesus nos revelou a vontade do Pai na proclamação das bem-aventuranças e na sua vida com seu amor promovendo os pobres e excluídos. Em tudo que Jesus disse e fez, ele estava cumprindo a vontade do Pai. E a vontade do Pai, Deus de amor, é que todos tenham vida em abundância, usufruindo dos bens da criação, eliminando-se as cercas e os muros que protegem as minorias privilegiadas e relegam as maiorias ao empobrecimento e à exclusão. A parábola final sobre a casa construída sobre a rocha, que se contrapõe à casa construída sobre a areia, é expressiva para revelar a importância de por em prática as palavras ouvidas de Jesus. O evangelho de Lucas também a apresenta com pequenas diferenças (cf. 10 set.). Construir a casa significa construir sua própria vida. O homem insensato constrói sua vida seguindo os ditames da sociedade de mercado e consumo, obedecendo aos interesses de lucro dos poderosos desde mundo. O homem sensato constrói sua vida praticando a palavra de Deus. Forma comunidade com seus irmãos, solidariza-se com os pobres, fracos e excluídos, e revela ao mundo o amor misericordioso de Jesus e do Pai. É o empenho na construção do mundo novo possível, descartando as estruturas opressoras e excludentes em vigor, que favorecem as minorias ambiciosas que consomem suas vidas na ânsia de acumular riquezas. Construir sua vida sobre a rocha é buscar a justiça que favorece a vida plena para todos, em comunhão de amor e vida eterna com Jesus e o Pai. As palavras de Jesus nos orientam para a formação de comunidades consolidadas pela união no amor, em ambiente de paz e abertas para a comunhão com todos aqueles que se empenham no resgate da dignidade e da vida no mundo.

sábado, 5 de março de 2011

NOVO LIVRO DO PAPA REFLETE SOBRTE OS ACONTECIMENTOS DA SEMANA SANTA

A Santa Sé divulgou quinta-feira (03) os resumos dos nove capítulos do mais recentes do livro de Bento XVI, ‘Jesus de Nazaré’.

A obra percorre o ciclo que a Igreja Católica celebra na Semana Santa, acompanhando os momentos da morte e ressurreição de Cristo.

Em comunicado divulgado pelo serviço de informação do Vaticano, assinala-se que o livro será editado em sete línguas: alemão, italiano, inglês, espanhol, francês, português e polaco.

O livro é uma extensa reflexão bíblica e teológica de Bento XVI sobre os textos dos Evangelhos, acompanhada por várias citações de estudiosos e especialistas nestes temas.

A apresentação deste segundo volume está marcada para o próximo dia 10 de março com a presença do prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal canadiano Marc Ouellet, e do escritor e germanista Claudio Magris.

Primeiro volume - Tinha sido publicado em 2007 e era dedicado à vida de Cristo desde o Batismo à Transfiguração.

SANTO DO DIA - São João José da Cruz

Nasceu na ilha de Ischia com o nome de Carlos Caetano Calosirto, aos 15 de agosto de 1654, na cidade de Ponte, Itália, filho do nobre José e de Laura. Recebeu os ensinamentos básicos e os alicerces religiosos frequentando os colégios dos padres agostinianos, na própria ilha.

Aos quinze anos optou pela vida religiosa pela grande vocação que sentia, ingressando na Ordem dos Franciscanos descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como alcantarinos, pela austeridade das Regras dessa comunidade, dependentes do convento de Santa Lucia, em Nápolis.

Tomou o nome de João José da Cruz e fez o noviciado sob a orientação monástica do padre José Robles. Em 1671 foi enviando com mais onze sacerdotes, dos quais ele era o mais jovem, para o Piedimonte d'Alife para construírem um convento. Diante das dificuldades encontradas no local não hesitou em juntar as pedras com suas próprias mãos, depois usando cal, madeira e um enxadão fez os alicerces. Estimulando assim os outros sacerdotes e o povo, que no começo acharam que ele era louco, mas, percebendo que estavam errados começaram a ajudá-lo, de modo que um grande convento foi edificado em pouco tempo. João José da Cruz ordenou-se sacerdote em 1677.

Ao completar vinte e quatro de idade foi nomeado mestre dos noviços e, quase ao mesmo tempo, guardião da ordem do convento. Durante a sua permanência em Piedimonte, construiu, num local isolado na encosta do bosque, um outro pequeno convento chamado de "ermo", ainda hoje meta de peregrinações, para poder rezar em retiro. Conseguiu ainda, trabalhando de forma muito ativa e singular, construir o convento do Granelo em Portici, também em Nápolis.

João José da Cruz era muito austero, comia pouco, só uma vez ao dia, dormia poucas horas, tinha o hábito de se levantar a meia noite para agradecer a Deus pelo novo dia. Tornou-se famoso entre o povo por sua humildade e foi venerado ainda em vida pela população por causa de sua extrema dedicação aos pobres e doentes. Fazia questão de ser pobre na vida e na própria personalidade, como São Francisco de Assis, seu modelo de vida.

Em 1702 foi nomeado vigário provincial da Reforma de São Pedro de Alcântara, na Itália. Assim a Ordem, abençoada por Deus, desceu de Norte a Sul, adquirindo um bem espiritual tão grande que chegou ao Vaticano, o qual tornou a reunir os dois ramos dos alcantarinos. Dessa forma o convento de Santa Lúcia voltou para os padres italianos e João Jose da Cruz retornou para lá. Nele viveu mais doze anos na santa austeridade e, segundo os registros da Igreja e a tradição, realizando prodígios e curas para seus amados pobres e doentes. Morreu no dia 05 de março 1734, sendo sepultado nesse mesmo convento.

Foi beatificado pelo papa Gregório XVI, em 1839. As relíquias de São João José da Cruz, foram transferidas para o convento franciscano da ilha de Ischia, onde nasceu, e é venerado no dia se sua morte.

CONFLITO DAS ELITES RELIGIOSAS - Marcos 11, 27-33

Uma das características dos evangelhos é registrar os diversos conflitos provocados pelas elites religiosas de Israel contra Jesus por causa de sua solidariedade e promoção dos marginalizados e oprimidos por estas elites. Jesus volta ao Templo de Jerusalém depois de, no dia anterior, ter expulsado aqueles que ali comerciavam. Esta ação de Jesus provocou a ira dos chefes do Templo, os quais eram coniventes com este comércio. Jesus está presente entre a multidão de peregrinos que vêm de longe, não como um devoto entre os demais, mas para anunciar-lhes o Reino de Deus, diferenciado do culto interesseiro praticado naquele templo. Reconhecer a origem divina do batismo de João implica em reconhecer o caráter divino de Jesus, do qual João foi precursor. Diante da negativa dos dirigentes judeus em lhe responder, Jesus também não lhes responde diretamente. Contudo, a seguir, lhes dirigirá a "parábola dos vinhateiros homicidas"

sexta-feira, 4 de março de 2011

PARA QUEM GOSTA DE ESTAR BEM INFORMADO

A 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos acontece entre 07 e 28 de outubro de 2012, mas desde já a Igreja Católica prepara-se para debater o tema da Nova evangelizatio ad christianam fidem tradendam (A nova evangelização para a transmissão da fé cristã).

Os Lineamenta da Assembleia foram apresentados em uma coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé, nesta sexta-feira, 4. Esse documento busca apresentar brevemente o estado da questão a ser debatida no Sínodo, indicar aspectos positivos na vida e na missão da Igreja e levantar aspectos problemáticos ou que precisam de aprofundamento.

O texto foi apresentado em português, latim, italiano, inglês, francês, alemão, espanhol e polonês. Participaram da coletiva o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, Dom Nikola Eterović, e o subsecretário do Sínodo, Dom Fortunato Frezza.

Uma das missões mais importantes para a vida e missão da Igreja é a evangelização. O motivo de convocação do Sínodo, segundo Dom Eterović, é porque a Igreja deseja, "com renovado entusiasmo, continuar tal missão também no tempo presente, [...] para retomar com novo ímpeto a obra urgente da evangelização no mundo contemporâneo".

A escolha do tema contou com ampla participação de diversos organismos eclesiais, cuja grande maioria apontou como tema proposto para a próxima assembleia a questão da transmissão da fé, uma vez que tal processo passa por muitas dificuldades devido às grandes transformações na ordem social, cultural e religiosa. A recente criação do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização também pesou para a escolha do tema.

"Qualquer projeto de 'nova evangelização', qualquer projeto de anúncio e de transmissão da fé, não pode ignorar esta necessidade de ter homens e mulheres que, com a sua conduta de vida, dão força ao empenho evangelizador que vivem" (22), indica o texto.

Todos os capítulos dos Lineamenta são acompanhados de diversas perguntas, destinadas a facilitar a reflexão das Igrejas particulares e seus respectivos organismos. O Questionário é composto, ao todo, por 71 questões.

O texto está dividido em três capítulos: 1) Tempo de "nova evangelização"; 2) Proclamar O Evangelho de Jesus Cristo; 3) Iniciação à experiência cristã. Além disso, há uma Introdução, precedida de um Prefácio. O Documento encerra-se com uma breve Conclusão.

1 – "Tempo de Nova Evangelização"

Descreve como surgiu o conceito de nova evangelização e a sua difusão ao longo dos Pontificados de João Paulo II e de Bento XVI. O termo foi usado pela primeira vez por JPII durante a visita à Polônia, em 1979, e reafirmado durante a 19ª Assembleia do CELAM, em Porto Príncipe, em 1983, com pano de fundo na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, do Servo de Deus Paulo VI, que já falava em "novos tempos de evangelização" (EN 2).

As reflexões sobre o conceito, propostas pelos Lineamenta, são indicadas a partir de seis cenários que, especialmente ao longo dos últimos anos, desafiam a Igreja a encontrar respostas adequadas, para que também eles tornem-se lugares de testemunho dos cristãos, chamados a transformá-los com o anúncio do Evangelho: secularização; fenômeno migratório; meios de comunicação; cenário econômico; pesquisa científica e tecnológica e o mundo político.

"Os cristãos são chamados a levar a questão sobre Deus para o interior desses cenários, iluminando-os com a luz do Evangelho e levando o seu testemunho. [...] É preciso dar sabor evangélico aos grandes valores da paz, da justiça, do desenvolvimento, da libertação dos povos. [...] Tal missão oferece grandes possibilidades ao diálogo ecumênico com os pertencentes às outras Igrejas e comunidade eclesiais, bem como ao diálogo inter-religioso com denominações não cristãs, sobretudo com as grandes religiões orientais", ressalta o secretário-geral do Sínodo.

" A nova evangelização é o contrário da auto suficiência e de fechamento em si mesmo, da mentalidade do status quo e de uma visão pastoral que considera suficiente continuar a fazer como sempre se fez" (Lineamenta, 10), ressalta o texto hoje apresentado.

2 – Proclamar o Evangelho de Jesus Cristo

A principal razão da nova evangelização é o anúncio do Evangelho e a transmissão da fé, recorda os Lineamenta: "O objetivo da transmissão da fé é, portanto, a realização deste encontro com Jesus Cristo, no Espírito, para chegar a fazer a experiência do Seu e do nosso Pai" (11).

Os cristãos são convidados a estabelecer um relacionamento pessoal com Jesus na comunidade da Igreja, que transmite a fé que ela mesma vive e que configura o seu anúncio, testemunho e caridade. Essa transmissão acontece através da oração, que é fé em ato, de modo ainda mais preciso na liturgia, enquanto lugar privilegiado e que tem papel pedagógico insubstituível.

"O clima cultural e a situação de cansaço em que se encontram várias comunidades cristãs corre o risco de enfraquecer a capacidade de anúncio, de transmissão e de educação para a fé das nossas Igrejas locais" (15), recorda o texto. Essa situação exige um novo ímpeto, zelo renovado, para repropor com alegria e fervor o anúncio da Boa Nova.

Os Lineamenta também indica que o testemunho cristão deve ser privado e público, abraçando pensamento e ação, vida interna da comunidade e o seu aspecto missionário, a atividade educativa e caritativa, comunicando a esperança cristã para a sociedade contemporânea: "A finalidade de todo o processo de transmissão da fé é a edificação da Igreja como comunidade de testemunhas do Evangelho" (17).

3 – Iniciação à Experiência Cristã

Propõe uma reflexão sobre os instrumentos da Igreja para introduzir a fé, particularmente os Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. As práticas das comunidades eclesiais suscitam uma série de questões, algumas das quais mencionadas nos Lineamenta.

Buscar uma colocação compartilhada da etapa do Sacramento da Crisma entre as diferentes tradições e ritos existentes na Igreja é um desafio que se apresenta, já que há diferenças no que diz respeito à administração do sacramento aos jovens.

A importância da Catequese também é ressaltada, uma vez que auxilia os fiéis a amadurecerem a própria conversão e educa a fé. Nessa perspectiva, a nova evangelização também requer que os fiéis depositem mais confiança no Espírito Santo, para que possam perceber com mais lucidez os lugares e modos apropriados de colocar a questão de Deus ao centro da vida dos homens de hoje, de acordo com suas expectativas e ansiedades.

Na sociedade contemporânea, qualquer ação educativa enfrenta dificuldades para se concretizar, de tal forma que é cada vez mais desafiador transmitir ás novas gerações os valores de fundo de um comportamento reto. O relativismo, que exclui a luz da verdade, é um dos motivadores desse contexto.

A missão da Igreja de educar assume ainda mais o papel de contribuição preciosa para fazer com que a sociedade saia da crise educativa, já que a comunidade eclesial possui uma grande tradição de escolas, institutos, recursos pedagógicos e pessoal especializado. Dessa forma, a atual emergência educativa requer educadores que saibam ser testemunhas credíveis dos valores em que se pode fundar a existência pessoal e do projeto de sociedade humana pelo qual vale a pena comprometer-se.

NOVA EVANGELIZAÇÃO SERÁ DISCUTIDA NO SÍNODO DE 2012

As diretrizes para a 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que vai acontecer em outubro de 2012, no Vaticano, foram apresentadas nesta sexta-feira, 4, na sala de imprensa da Santa Sé. As linhas gerais que vão nortear as discussões foram apresentadas pelo secretário geral do Sínodo dos Bispos, dom Nikola Eterovic.

O texto tem pouco mais de 60 páginas. Está divido em três capítulos que tratam da urgência de uma Nova Evangelização, do dever e dos desafios de evangelizar, e dos possíveis cenários da Nova Evangelização do cristianismo moderno.

O foco central, definido pelo papa, é o conceito da Nova Evangelização e os desafios da Igreja diante das mudanças que tornam o mundo, cada vez mais, um planeta globalizado. A revolução tecnológica marcou a passagem dos séculos XX para XXI e entra nessa primeira década aparece como a solução mais cotada para todos os problemas da humanidade. As instituições que não acompanham o novo ritmo dos acontecimentos mundiais estão em risco de serem automaticamente excluídas do contexto social, econômico, político e religiosos dos dias futuros.

Nas diretrizes apresentadas nesta sexta-feira, a Igreja parece ter se antecipado à revolução tecnológica. Nas linhas gerais da Nova Evangelização para a Transmissão da Fé Cristã, há uma citação dita pela primeira vez há quarenta anos, no Concílio do Vaticano II: “A humanidade vive um período novo da sua história, caracterizado por profundas mudanças e rápidas transformações que progressivamente se estendem para todo o universo”.

O termo Nova Evangelização, destaca o texto apresentado hoje, foi introduzido pelo Papa João Paulo II, em 1979, durante a visita apostólica à Polônia. Dois anos mais tarde, João Paulo II resumiria o conceito como “sinônimo de renascimento espiritual da vida de fé das igrejas locais, início de percursos de discernimento das mudanças que afetam a vida cristã nos diferentes contextos culturais e sociais, releitura da memória da fé, assunção de novas responsabilidades e novas energias em vista de uma proclamação alegre e contagiante do Evangelho de Jesus Cristo”.

SANTO DO DIA - São Casimiro

Casimiro nasceu na Croácia no dia 03 de outubro de 1458 e era o décimo terceiro filho do rei da Polônia, Casimiro IV, e da rainha Elisabete d'Asburgo. Ele poderia muito bem colocar sobre a cabeça uma coroa e reinar sobre um território, como todos os seus doze irmãos o fizeram. Porém, apesar de possuir os títulos de príncipe da Polônia e grão-duque da Lituânia, não seguiu esse caminho. Desde pequeno abriu mão do luxo da corte, suas ricas festas e todas as facilidades que a nobreza proporcionava. Fez voto de castidade e vivia na simplicidade do seu quarto, que transformou numa cela como a de um eremita, dedicando-se à oração, disciplina, penitência e solidão.

Quando os húngaros se rebelaram contra o seu rei, Mateus Corvino, e ofereceram ao jovem príncipe Casimiro, então com treze anos, a coroa, ele a renunciou tão logo soube que seu pai havia se declarado contra a deposição daquele rei e a imposição pela força de outro, no caso ele. O príncipe tinha de fato apenas uma ambição, se é que assim pode ser chamada, dedicar-se ao ideal da vida monástica.

Entretanto não fugia dos deveres políticos, tendo ajudado o pai nos negócios do reino desde os dezessete anos, principalmente nos problemas referentes à Lituânia, onde era muito querido pelo povo. Com a conversão do rei da Hungria que abdicou para entrar num mosteiro, o rei Casimiro IV, seu pai, herdou esses domínios que incluíam além da Hungria a Prússia. Porém, isso também não entusiasmou o jovem príncipe a se coroar. Desde a infância levava uma vida ascética, muito humilde, jejuando continuamente e dormindo no chão, por isso sua saúde nunca foi perfeita.

Dessa forma, jovem príncipe acabou contraiu a tuberculose. Mesmo assim seu pai lhe cofiou a regência do reino, por um breve período. O rei desejando ampliar ainda mais os domínios do já imenso império, pretendia firmar um contrato de matrimonio para o filho com a bela e rica herdeira de Frederico III, cujas fronteiras passariam as ser mar Báltico e o mar Negro, realizando seu velho sonho. Por isso precisava se ausentar, pois queria tratar pessoalmente de tão delicado assunto.

Casimiro, como príncipe regente, não se furtou às obrigações junto ao seu amado povo. Cumpriu a função com inteligente política, todavia sem se deixar seduzir pelo poder. Depois, o rei teve de se conformar, porque Casimiro preferiu o celibato e o tratado do matrimônio foi desfeito. Ele preferiu ser lembrado por ficar entre os pobres de espírito, entre aqueles que receberam o reino de Deus, do que ser recordado entre os homens famosos e poderosos que governaram o mundo.

Morreu aos vinte e cinco anos de idade e foi sepultado em Vilnius, capital da Lituânia, em 04 de março de 1484. Logo passou a ser venerado por todo o povo polonês, lituano, húngaro, russo. Seu culto acabou sendo introduzido na Europa ocidental através dos peregrinos que visitavam sua sepultura. Menos de quarenta anos após sua morte já era canonizado pelo Papa Leão X. São Casimiro foi declarado padroeiro da Lituânia e da juventude lituana; também da Polônia, onde até hoje é considerado um símbolo para os cristãos, que o veneram como o protetor dos pobres.

JESUS DENUNCIA A CORRUPÇÃO DO TEMPLO - Marcos 11, 11-26

Este longo evangelho coloca em evidência o Templo de Jerusalém, com sua prática e doutrina, como sendo o alvo principal das denúncias de Jesus aos chefes religiosos de Israel. Este templo, desde sua construção por Salomão, sempre teve como anexo o Tesouro, destinado ao depósito das imensas riquezas acumuladas a partir das ofertas e das taxas cobradas do povo. Naquele momento de intenso comércio e lucro praticado durante a festa da Páscoa, Jesus denuncia esta corrupção do Templo. A figueira que secou e o monte que com fé é lançado ao mar representam o monte Sião, com Jerusalém e o Templo que oprimiam o povo. A verdadeira religião, agradável a Deus, é a do perdão e da misericórdia.

quinta-feira, 3 de março de 2011

EVANGELIZE CONOSCO - SEJA UM BENFEITOR DO NOSSO BLOG

O Blog do Santuário das Graças cresceu bastante. Graças a sua fidelidade podemos ouvir testemunhos em vários lugares do nosso Brasil e além fonteiras. Diariamente acessam o nosso Blog mais de 240 filhos e filhas de Nossa Senhora das Graças que neste espaço buscam informação e oração.

O que acontece na Igreja no mundo, no Brasil e nas Dioceses de Mossoró e Caicó e na Arquidiocese de Natal são instrumentos de noticias e nos faz participantes da mesma Igreja de Cristo. Além disso temos o cuidado de postar notícias de interesse local e nacional, porque Cristão precisa estar bem informado para poder enfrentar o dia-a-dia com mais confiança no que diz e no que faz.

Para manter esse blog precisamos da sua ajuda. Se você pode nos ajudar com doações mensais entre em contato conosco pelo telefone (84)99206179. Temos uma taxa mensal de manutenção do blog para postar fotos e despesas com nossa internet móvel, entre outros. Mensalmente nossas despesas se mantem na casa dos R$ 400,00. As pessoas que nos ajudam a manter esse blog estão sendo mostradas ao lado. Se sua empresa, comércio ou mesmo você pode nos ajudar, entre em contado conosco e que Deus os abençõe.

PROFESSOR DE ESCOLA PÚBLICA PODERÁ FAZER CURSO SUPERIOR E PAGAR COM AULAS

Cerca de 381 mil professores da educação básica – 16% dos que atuam em sala de aula – estão matriculados em cursos superiores, seja para conseguir o primeiro diploma ou complementar a formação. O Ministério da Educação (MEC) quer incrementar esse número e decidiu ampliar benefícios do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para profissionais que já atuam na rede pública.

Desde o ano passado, o programa permite a estudantes de cursos de licenciatura pagar o financiamento atuando em escolas da rede pública após a formatura. Cada mês trabalhado em regime de 20 horas semanais abate 1% da dívida – o que permite quitar o valor em oito anos e quatro meses sem custo financeiro.

A partir de uma portaria publicada hoje (3) no Diário Oficial da União, a medida será estendida a professores que já atuam na rede pública e querem cursar alguma licenciatura. Para aqueles que já estão na carreira, o tempo em que estiver fazendo o novo curso e trabalhando em escola pública passa a contar para o abatimento da dívida.

Levantamento feito pelo MEC em 2009 identificou que 600 mil professores que atuavam na educação básica não tinham a formação mínima adequada – ou não tinham diploma em nível superior ou eram formados em outra áreas que não as licenciaturas.

O cruzamento feito entre os dados dos censos da Educação Básica e Superior, que identificou 381 mil professores em busca do diploma, mostra que a maioria – 192 mil – está matriculada em cursos de pedagogia. Em seguida aparecem as licenciaturas em letras (44 mil), matemática (19 mil), história (14 mil), biologia (14 mil) e geografia (10 mil). Do total, 67% estão em instituições privadas.

De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, não é possível indicar se esses profissionais estão em busca de uma primeira ou de uma nova graduação. O MEC pretende depurar os dados para conhecer melhor esse público. “Mas os números nos surpreenderam positivamente. Nos dois casos [de o professor ter ou não nível superior], a busca pela formação é positiva”, disse.

Há ainda docentes matriculados em cursos que não são diretamente relacionados à prática pedagógica como direito (8 mil), administração (5 mil) e engenharia (3 mil).

JOVENS DE 14 ANOS REPRESENTAM 40% DOS NOVOS INFECTADOS PELO HIV

Segundo dados da Organização das Nações Unidas, os jovens de 14 anos representam 40% dos novos infectados e na África Subsariana 90% das novas infecções são atribuídas às crianças.

Tendo em vista esses dados, o Conselho Ecumênico das Igrejas (CEI) na luta contra a Aids publicou um documento nesta quarta-feira, 2, encorajando as Igrejas a perseverarem em seus trabalhos e aderirem ao programa da ONU “Zero discriminação, zero novas infecções pelo HIV e zero mortes relacionadas à Aids”.

Apesar dos avanços na luta contra a Aids, o relatório do Conselho alerta que os novos desafios a serem enfrentados estão relacionados às crianças que nascem com o vírus HIV ao chegarem a maturidade sexual.

Atualmente no mundo existem 33 milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV, dessas apenas 10 milhões estão em tratamento.

Desde do surgimento da epidemia há 30 anos atrás, eram estimados 60 milhões de infectados, desses mais de 25 milhões morreram. Até hoje, a Aids deixou 14 milhões de crianças órfãs.

O empenho do Conselho Ecumênico das Igrejas iniciou-se em 1986, quando o secretário geral da pastoral, Emilio Castro, atendeu os apelos lançados pela Organização Mundial da Saúde e as iniciativas das diversas Igrejas.

Os esforços do CEI concentram-se sobretudo na formação das pessoas. Em 1991, foi publicado o primeiro manual lançado pelo Conselho com acompanhamento pastoral. Hoje mais de 50 mil folhetos informativos de formação pastoral foram distribuídos no Nairobi, Lomé, Kinshasa, Harare e Luanda.

O documento do Conselho Ecumênico das Igrejas foi publicado no site www.oikoumene.org e destaca os trabalhos das 349 Igrejas pertencentes a este Conselho no combate contra à Aids na África iniciados em 2002.

INTERNET APRESENTA GRANDES POSSIBILIDADES PARA MISSÃO DA IGREJA

Na opinião do Papa Bento XVI, a internet "apresenta grandes possibilidades também para a Igreja e a sua missão". A afirmação do Pontífice faz parte de um recente discurso dirigido a integrantes da Assembleia Plenária da Congregação para a Educação Católica.

O Papa é enfático ao afirmar que esse meio pode ser usado não somente para os estudos, mas também para a ação pastoral - o que exige adequada preparação dos formadores e discernimento dos seminaristas.

"O sacerdote não pode estar alheio a isso. É uma realidade relativamente nova, para a qual não temos ainda respostas prontas. O que sabemos é que devemos trabalhar e educar os seminaristas para o uso prudente e pastoral da internet", avalia o diretor espiritual do Seminário Arquidiocesano São José, de Niterói (RJ) - e também presidente da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (Osib) para o Regional Leste 1 da CNBB -, padre Demétrio Gomes.

Nessa perspectiva, ele sublinha que a internet proporciona um grande campo apostólico, é um "púlpito virtual" no qual o sacerdote precisa mostrar o rosto de Cristo.

SANTO DO DIA - Santa Teresa Eustochio Verzeri

Ana Maria Teresa Eustochio Josefa Catarina Inácia Verzeri, ou como apenas Teresa Eustochio Verzeri, como ficou conhecida, nasceu no dia 31 de julho de 1801, em Bérgamo, Itália. Era a primogênita dos sete filhos de Antonio Verzeri e da condessa Helena Pedrocca-Grumelli. Desde criança, aprendeu de sua mãe, cristã muito devota, a conhecer e a amar a Deus acima de tudo e a qualquer preço.

Os estudos iniciais ela fez em casa. Inteligente, dotada de espírito aberto, quando menina, queria ser rapaz, para empreender nobres façanhas, como Santo Inácio, nas fileiras de Cristo. Da infância até a idade madura, deixou-se iluminar pelo Espírito da Verdade, percorrendo o caminho de libertação, de pureza, de retidão e de simplicidade que a levou a buscar "Deus só". Interiormente, viveu a particular experiência mística da "ausência de Deus", enfrentando um dos problemas da experiência religiosa de hoje: o peso da solidão humana diante da sensação inquietante de distância e de silêncio de Deus.

Entretanto, com uma fé inabalável, Teresa não deixou de confiar e de se abandonar ao Deus Vivo, Pai providente e misericordioso, a quem entregou a própria vida, em atitude de obediência dialogante. Como em Jesus, seu grito de solidão se transformou em oferta total de si mesma por amor.

Após uma experiência de vida religiosa entre as monjas beneditinas de Santa Grata, em Bérgamo, percebeu que sua vocação era o apostolado ativo. Orientada pelo Mons. Benaglio, seu diretor espiritual, aos vinte e cinco anos iniciou obras de assistência às crianças pobres e abandonadas. Atraindo para seu ideal jovens generosas e disponíveis, com as quais em 1831, fundou a Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Jesus.

A primeira metade de 1800, foi um período de grandes transformações na história da Itália, da sociedade de Bérgamo e do mundo, marcado por mudanças políticas, por revoluções, por perseguições que não pouparam a Igreja, atingida, também, pela crise de valores, resultante da Revolução Francesa. Ela percebeu com clareza a urgência e as necessidades do seu tempo e abraçou sua missão, de orientadora espiritual, evangelizadora e pedagoga.

Após consolidar sua obra em várias cidades italianas, Teresa faleceu no dia 03 de março de 1852, num gesto total de oblação a Deus. Foi beatificada pelo Papa Pio XII em 1946, e canonizada pelo Papa João Paulo II, em 2001. As suas relíquias são veneradas na capela da escola das Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Bérgamo; recebendo as homenagens no dia de sua morte.

Como educadora, pautou sua ação e seus escritos na pedagogia do elogio, concretizada no binômio: bondade-firmeza e no respeito à liberdade. Animadas por esse espírito, as Filhas do Sagrado Coração de Jesus continuam, hoje, a missão de Santa Teresa Eustochio Verzeri, na Itália, no Brasil, na Argentina e Bolívia, na República Centro-Africana e em Camarões, na Índia e na Albânia.

O CEGO DE JERICÓ - Marcos 10, 46-52

Marcos narra o caminho de Jesus de Betsáida a Jerusalém com uma inclusão entre duas curas de cegos, uma em Betsáida, e outra ao se aproximar de Jerusalém, em Jericó. A caminhada para Jerusalém é um momento de instruções aos discípulos, libertando-os da cegueira para que abandonem a ideologia messiânica que os leva a esperar de Jesus um chefe poderoso. Jesus se empenha em abrir os olhos dos discípulos afim de que percebam na sua prática o amor transformador e libertador de Deus, resgatando a vida entre os oprimidos e excluídos deste mundo, na fraternidade e na paz. O cego de Jericó, Bartimeu, "vê" Jesus como "Filho de Davi", o que exprime o equívoco de um messianismo triunfalista. Porém, consciente de sua cegueira, Bartimeu quer ver! A recuperação da visão, a compreensão da verdadeira missão de Jesus, na fé, é que permite que se siga Jesus pelo caminho.

quarta-feira, 2 de março de 2011

RETIRO DE CARNAVAL NO SANTUÁRIO DAS GRAÇAS

Quase tudo pronto para o maior carnaval de todos os tempos em Florânia. Dias 05,06,07 e 08 de março de 2011 no Santuário das Graças. O Retiro acontece num lugar privilégiado, a Casa da Mãe: Nossa Senhora das Graças - Lugar Santo e Sagrado. Os pregadores são membros da Comunidade Canção Nova e ainda contará com a presença do Pe. Givalnildo, Pe. Neto, Pe. Erivan Santos e do Diácono Joanilson. Para partiipar do retiro o interessado pagará uma taxa de R$ 20 (vinte reais). Não deixe essa oportunidade passar. Venha estar conosco.

CATEQUESE - Papa explica regra da obediência: "tudo por amor, nada por força"

O Papa Bento XVI falou sobre o francês São Francisco de Sales, Bispo e Doutor da Igreja - que viveu entre os séculos XV e XVI, época de discussões teológicas sobre predestinação e fortalecimento do calvinismo -, na Catequese desta quarta-feira, 2.

O Pontífice apontou um dos ensinamentos do santo como estrada para a verdadeira obediência:

"Adverte-se bem, lendo o livro sobre o amor de Deus e ainda mais as outras tantas cartas de direção e de amizade espiritual, aquele conhecedor do coração humano que foi São Francisco de Sales. A Santa Giovanna di Chantal escreve: '[…] Eis a regra da nossa obediência que vos escrevo em letras maiúsculas: FAZER TUDO POR AMOR, NADA POR FORÇA - AMAR MAIS A OBEDIÊNCIA QUE TEMER A DESOBEDIÊNCIA. Deixo-vos o espírito de liberdade, não enquanto aquele que exclui a obediência, porque essa é a liberdade do mundo; mas aquele que exclui a violência, a ânsia e o escrúpulo'", recordou.

O Santo Padre também lembrou que a época atual busca a liberdade, também com violência e inquietudes. Exatamente por isso, não deve escapar a atualidade do grande mestre de espiritualidade e paz que foi São Francisco, "que entrega a seus discípulos o 'espírito de liberdade', aquela verdadeira, no cume de um ensinamento fascinante e completo sobre a realidade do amor. [...] Recorda que o homem traz inscrita no profundo de si a nostalgia de Deus e que somente n'Ele encontra a verdadeira alegria e a sua realização mais plena", afirmou o Papa.

Francisco de Sales viveu um drama espiritual e teve grandes dúvidas sobre a própria salvação eterna e a predestinação de Deus a seu respeito. No ápice de sua provação, dirigiu-se à igreja dos Dominicanos, em Paris, abriu o coração e rezou: "Aconteça o que acontecer, Senhor, tu que tens tudo na tua mão, e cujas vias são justiça e verdade; seja o que for que tu tenhas estabelecido para mim...; tu que és sempre justo juiz e Pai misericordioso, eu te amarei, Senhor [...], te amarei aqui, ó meu Deus, e esperarei sempre na tua misericórdia, e sempre repetirei o teu louvor... Ó, Senhor Jesus, tu serás sempre a minha esperança e a minha salvação na terra dos vivos".

"Aos vinte anos, Francisco encontrou a paz na realidade radical e libertadora do amor de Deus: amá-lo sem nunca pedir nada em troca e confiar no amor divino; não questionar mais o que fará Deus comigo: eu o amo simplesmente, independentemente de o quanto me dá ou não me dá", salientou o Pontífice.

Chamado universal

Na obra Introdução à vida devota (1607), Francisco de Sales destina um convite que poderia parecer, à época, revolucionário: "É o convite a ser completamente de Deus, vivendo em plenitude a presença no mundo e as obrigações do próprio estado. [...] Nascia assim aquele apelo aos leigos, aquele cuidado pela consagração das coisas temporais e pela santificação do cotidiano, sobre as quais insistirão o Concílio Vaticano II e a espiritualidade do nosso tempo", relata o Bispo de Roma.

Bento XVI sublinha que São Francisco tem uma visão do ser humano na qual a "razão" está articulada em torno daquilo que os grandes místicos chamam de "topo", "ponta" do espírito, "fundo da alma": "É o ponto em que a razão, percorridos todos os seus graus, 'fecha os olhos' e a consciência torna-se totalmente unidade com o amor. [...] São Francisco de Sales o resume em uma célebre frase: 'O homem é a perfeição do universo; o espírito é a perfeição do homem; o amor é a perfeição do espírito, e a caridade a perfeição do amor'".

Na obra Tratado do Amor de Deus (1616), Francisco explica que o itnierário rumo a Deus "parte do reconhecimento da natural inclinação, inscrita no coração do homem enquanto pecador, a amar a Deus sobre todas as coisas. [...] Um tal Deus atrai a si o homem com vínculos de amor, isto é, de verdadeira liberdade. [...] Encontramos no tratado do nosso Santo uma meditação profunda sobre a vontade humana e a descrição do seu fluir, passar, morrer, para viver no completo abandono não somente à vontade de Deus, mas àquilo que a Ele apraz, ao seu 'bon plaisir', ao seu beneplácito", explica Bento XVI.

São Francisco de Sales

Nasceu em 1567, em uma região francesa de fronteira, e era filho do Senhor de Boisy, antiga e nobre família da Savoia. Viveu entre dois séculos, o XV e o XVI. A sua formação foi muito acurada; em Paris, fez os estudos superiores, dedicando-se também à teologia, e, na Universidade de Pádua, fez os estudos de jurisprudência, como desejava seu pai, e concluiu-os de modo brilhante, com a láurea em utroque iure em direito canônico e direito civil.

Durante a juventude, refletindo sobre o pensamento de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, teve uma crise profunda que o levou a se interrogar sobre a própria salvação eterna e a predestinação de Deus a seu respeito, "sofrendo como verdadeiro drama espiritual as principais questões teológicas do seu tempo. Rezava intensamente, mas a dúvida o atormentou de modo tão forte que, por algumas semanas, chegou a ficar quase que completamente sem comer e dormir", narrou o Pontífice.

Aos 18 de dezembro de 1593, foi ordenado sacerdote. Em 1602, torna-se Bispo de Genebra, em um período em que a cidade era fortaleza do Calvinismo, tanto que a sede episcopal encontrava-se "exilada" em Annecy.

"É apóstolo, pregador, escritor, homem de ação e de oração; comprometido em realizar os ideais do Concílio de Trento; envolvido na controvérsia e no diálogo com os protestantes, experimentando sempre mais, para além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade; encarregado de missões diplomáticas em nível europeu, e de tarefas sociais de mediação e reconciliação. Mas, sobretudo, São Francisco de Sales é guia das almas", afirma Bento XVI.

Morreu em 1622, aos 55 anos, após uma existência assinalada pela dureza dos tempos e pela fadiga apostólica.

A audiência

O encontro do Bispo de Roma com os fiéis reunidos na Sala Paulo VI aconteceu às 6h30 (horário de Brasília - 10h30 em Roma). O Papa continua uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja, no contexto de Catequeses dedicadas aos padres da Igreja e grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade média.

Ao final da Audiência Geral, o Santo Padre recebeu em visita privada a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Josette Sheeran, que acaba de regressar de uma missão do organismo na fronteira entre Líbia e Tunísia. Após o encontro, a diretorafalou do interesse e preocupação do Papa com tantas pessoas inocentes afetadas pelos conflitos anquela região e agradeceu a ajuda da Igreja na tarefa de fornecer alimentos a quantos passam fome no mundo.

Na saudação aos fiéis de língua portuguesa, o Papa salientou:

"sede bem-vindos! São Francisco de Sales lembra que cada ser humano traz inscrita no íntimo de si a nostalgia de Deus. Possais todos dar-vos conta dela e por ela orientar as vossas vidas, pois só em Deus encontrareis a verdadeira alegria e a realização plena. Para tal, dou-vos a minha bênção. Ide em paz!".

SANTO DO DIA - São Simplício

Simplício nasceu na cidade italiana de Tivoli e seu pai se chamava Castino. Depois disso, os dados que temos dele se referem ao período que exerceu a direção da Igreja, aliás uma fase muito difícil da História da Humanidade: a queda do Império Romano. Ao contrário do que se podia esperar, teve um dos pontificados mais longos do seu tempo, quinze anos, de 468 a 483.

Nessa época, Roma , depois de resistir às invasões de godos, visigodos, hunos, vândalos e outros povos bárbaros, acabou sucumbindo aos hérulos, chefiados pelo rei Odoacro, que era adepto do arianismo e depôs o imperador Rômulo Augusto. A partir daí, conquistadores de todos os tipos se instalaram, depredaram, destruíram e repartiram aquele Império, tido como o centro do mundo. Roma, que era sua capital, sobreviveu. Nesse melancólico final, a única autoridade moral restante, a que ficou do lado do povo e acolheu, socorreu, escondeu e ajudou a enfrentar o terror, foi a do Papa Simplício.

Ele fazia parte do clero romano e foi eleito para suceder o Papa Hilário. Tinha larga experiência no serviço pastoral e social da Igreja e uma vantagem: ter convivido com o Papa Leão Magno, depois proclamado santo e doutor da Igreja, que deteve a invasão de Átila, o rei dos bárbaros hunos. Ao Papa Simplício, nunca faltou coragem, fé e energia, virtudes fundamentais para o exercício da função. Ele soube manter vivamente ativas as grandes basílicas de São Pedro, São Paulo Fora dos Muros e São Lorenço, que a partir do seu pontificado passaram a acolher os católicos em peregrinação aos túmulos dos Santos Apóstolos. Depois construiu e fundou muitas igrejas novas, sendo as mais famosas aquelas dedicadas a São Estevão Rotondo e a Santa Bibiana. Trabalhou para a expansão das dioceses e reafirmou o respeito à genuína fé em Cristo e à Igreja de Roma.

Os escritos antigos registram suas várias cartas à bispos, orientando sobre a forma de enfrentar o nestorianismo e o monofisitismo, duas heresias orientais que na época ameaçavam a integridade da doutrina católica e vinham se espalhando por todo o mundo cristão. Mas o Papa Simplício se manteve ativo ao lado do povo, ensinando, pregando, dando exemplo de evangelizador, apesar dessas e outras dificuldades. Além disso mostrou respeito a todo tipo de expressão da arte; foi ele que ordenou para serem colocados à salvo da destruição dos bárbaros os mosaicos considerados pagãos, da igreja de Santo André. Morreu, amado pelo povo e respeitado até pelos reis hereges, no dia 10 de março de 483. Suas relíquias são veneradas na sua cidade natal, Tivoli, Itália.

Foi assim que Roma, graças à atuação do Papa Simplício, apesar de assolada por hereges de todas as crenças e origens, deixou de ser a Roma dos Césares passando a ser a Roma dos Papas e da Santa Sé. A sua comemoração litúrgica ocorre no dia 02 de março.

O CAMINHO DA COMUNHÃO COM DEUS - Marcos 10,32-45

Com duas narrativas articuladas, Marcos faz um contraste. Jesus, pela segunda vez, anuncia que será morto em Jerusalém, e, contrastando com este anúncio, os discípulos Tiago e João pedem a Jesus que reservem para eles cargos importantes (sentar à direita e à esquerda). Eles têm a equivocada compreensão de que Jesus tomaria o poder, com apoio de um movimento popular. A partir de tal incompreensão dos discípulos, Jesus explicita como os poderosos deste mundo oprimem e exploram o povo, e que esta não é a proposta de Jesus. Ele veio para servir e dar a vida àqueles que estão excluídos pelo sistema, resgatando-lhes a dignidade e revelando-lhes o caminho da comunhão com Deus.