segunda-feira, 5 de abril de 2010

HOMILIA DO PAPA NA MISSA DA VIGÍLIA PASCAL


Amados irmãos e irmãs,

Uma antiga lenda judaica, tirada do livro apócrifo “A vida de Adão e Eva”, conta que Adão, durante a sua última enfermidade, teria mandado o filho Set juntamente com Eva à na região do Paraíso buscar o óleo da misericórdia, para ser ungido com este e assim ficar curado. Aos dois, depois de muito rezar e chorar à procura da árvore da vida, aparece o Arcanjo Miguel para dizer que não conseguiriam obter o óleo da árvore da misericórdia e que Adão deveria morrer. Em seguida, os leitores cristãos adicionaram a esta comunicação do arcanjo, uma palavra de consolação. O Arcanjo teria dito que, depois de 5.500 anos, viria o benévolo Rei Cristo, o Filho de Deus, e ungiria com o óleo da sua misericórdia todos aqueles que acreditassem nele. “O óleo da misericórdia para toda a eternidade será dado a quantos deverão renascer da água e do Espírito Santo. Então, o Filho de Deus rico de amor, Cristo, descerá às profundezas da terra e conduzirá o teu pai ao Paraíso, para junto da árvore da misericórdia”. Nesta lenda, faz-se palpável toda a aflição do homem diante do destino de enfermidade, dor e morte que nos foi imposto. Torna-se evidente a resistência que o homem oferece à morte: em algum lugar – repetidamente pensaram os homens – deveria existir a erva medicinal contra a morte. Mais cedo ou mais tarde, deveria ser possível encontrar o remédio não somente contra as diversas doenças, mas contra a verdadeira fatalidade – contra a morte. Deveria, em suma, existir o remédio da imortalidade. Também hoje, os homens andam à procura de tal substância curativa. A ciência médica atual, incapaz de excluir a morte, procura, contudo, eliminar o maior número possível das suas causas, adiando-a sempre mais; procura uma vida sempre melhor e mais longa. Mas, pensemos um pouco: caso se conseguisse quiçá não excluir totalmente a morte mas adiá-la indefinidamente, como seria chegar a uma idade de várias centenas de anos? Isto seria bom? A humanidade envelheceria numa medida extraordinária; não haveria lugar para a juventude. A capacidade de inovação se apagaria e uma vida interminável não seria um paraíso, mas uma condenação. A verdadeira erva medicinal contra a morte deveria ser diversa. Não deveria levar simplesmente a uma prolongação indefinida desta vida atual. Deveria transformar a nossa vida a partir do interior. Deveria criar em nós uma vida nova, verdadeiramente capaz de eternidade: deveria transformar-nos de tal modo que não terminasse com a morte, mas com ela iniciasse em plenitude. A novidade impressionante da mensagem cristã, do Evangelho de Jesus Cristo era, e ainda é, dizer-nos isto: sim, esta erva medicinal contra a morte, este autêntico remédio da imortalidade existe. Foi encontrado. É acessível. No Batismo, este medicamento nos é dado. Uma vida nova começa em nós, uma vida nova que amadurece na fé e não é cancelada pela morte da vida velha, mas só então se tornará plenamente visível.

Ouvindo isto alguns, quiçá muitos, responderão: a mensagem sim, eu escuto, mas falta-me a fé. E, mesmo quem quer acreditar perguntará: mas, é verdadeiramente assim? Como devemos imaginá-la? Como se realiza esta transformação da vida velha, de tal modo que nela se forme a vida nova que não conhece a morte? Mais uma vez, um antigo escrito judaico pode nos ajudar a ter uma idéia daquele processo misterioso que tem início em nós no Batismo. Neste escrito se conta que o patriarca Henoc foi arrebatado até ao trono de Deus. Mas, ele se atemorizou à vista das gloriosas potestades angélicas e, na sua fraqueza humana, não pôde contemplar a Face de Deus. “Então Deus disse a Miguel – assim continua o livro de Henoc – 'Toma Henoc e tira-lhe as vestes terrenas. Unge-o com o óleo suave e reviste-o com vestes de glória! ' E, Miguel tirou as minhas vestes, ungiu-me com óleo suave; este óleo possuía algo mais que uma luz radiosa... O seu esplendor era semelhante aos raios do sol. Quando me vi, eis que eu era como um dos seres gloriosos” (Ph. Rech, Inbild des Kosmos, II 524).Isto mesmo – ser revestidos com a nova veste de Deus – verivica-se Batismo; assim nos ensina a fé cristã. É verdade que esta mudança das vestes é um percurso que dura toda a vida. Aquilo que acontece no Batismo é o início de um processo que abarca toda a nossa vida –torna-nos capazes de eternidade, de tal modo que, na veste de luz de Jesus Cristo, podemos aparecer diante de Deus e viver com Ele para sempre. No rito do Batismo, há dois elementos nos quais este evento se expressa e torna visível, também como exigência para o resto da nossa vida. Em primeiro lugar, temos o rito das renúncias e das promessas. Na Igreja Antiga, o batizando virava-se para ocidente, símbolo das trevas, do pôr do sol, da morte e, portanto, do domínio do pecado. O batizando virava-se para aquela direção e pronunciava um tríplice “não”: ao diabo, às suas pompas e ao pecado. Com a estranha palavra “pompas”, ou seja, o fausto do diabo, indicava-se o esplendor do antigo culto dos deuses e do antigo teatro, onde a diversão era ver pessoas vivas sendo dilaceradas pelas feras. Portanto, isto era o repúdio de um tipo de cultura que acorrentava o homem à adoração do poder, ao mundo da cobiça, à mentira, à crueldade. Era um ato de libertação da imposição de uma forma de vida que se apresentava como prazer e, contudo, levava à destruição daquilo que no homem são as suas qualidades melhores. Esta renúncia – com um comportamento menos dramático – constitui ainda hoje uma parte essencial do Batismo. Assim removemos as “vestes velhas”, com as quais não se pode estar diante de Deus. Melhor dito: começamos a depô-las. Com efeito, esta renúncia é uma promessa na qual damos a mão a Cristo, para que Ele nos guie e revista. Quais sejam as “vestes” que depomos e qual seja a promessa que pronunciamos fica claro quando lemos, no quinto capítulo da Carta aos Gálatas, aquilo que Paulo denomina “obras da carne” – termo que significa precisamente as vestes velhas que devem ser depostas. Paulo as designa assim: “fornicação, libertinagem, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, intrigas, discórdias, facções, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a essas” (Gal 5, 19ss). São estas as vestes que depomos; são vestes da morte.Em seguida, o batizando na Igreja Antiga se virava para oriente – símbolo da luz, símbolo do novo sol da história, novo sol que se levanta, símbolo de Cristo. O batizando determina a nova direção da sua vida: a fé em Deus trino, a quem ele se oferece. Assim, o próprio Deus nos veste com o traje de luz, com a veste da vida. Paulo chama a estas novas “vestes” “fruto do Espírito” e as descreve com as seguintes palavras: “caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão, continência” (Gal 5, 22).Na Igreja Antiga, depois o batizando era verdadeiramente despojado das suas vestes. Descia à fonte batismal e era imerso por três vezes – um símbolo da morte que significa toda a radicalidade deste despojamento e desta mudança de veste. Esta vida, que em todo o caso já está voltada à morte, o batizando a entrega à morte, junto com Cristo, e por Ele se deixa arrastar e elevar para a vida nova, que o transforma para a eternidade. Depois subindo das águas batismais, os neófitos eram revestidos com a veste branca, a veste luminosa de Deus, e recebiam a vela acesa como sinal da vida nova na luz que Deus mesmo acendera neles. Eles sabiam que tinham obtido o remédio da imortalidade, que agora, no momento de receber a sagrada Comunhão, tomava a sua forma plena. Na Comunhão, recebemos o Corpo do Senhor ressuscitado e nós mesmos somos atraídos para este Corpo, de tal modo que ficamos já guardados por Aquele que venceu a morte e nos conduz através da morte.No decorrer dos séculos, os símbolos tornaram-se mais escassos, mas o acontecimento essencial do Batismo continue sendo o mesmo. Este não é apenas um lavacro, e menos ainda uma recepção um pouco complicada numa nova associação. O Batismo é morte e ressurreição, renascimento para a nova vida. Sim, a erva medicinal contra a morte existe. Cristo é a árvore da vida, que se fez novamente acessível. Se aderimos a ele, então estamos na vida. Por isso, nesta noite da ressurreição, cantaremos com todo o coração o aleluia, o canto da alegria que não tem necessidade de palavras. Por isso Paulo pode dizer aos Filipenses: “alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos!” (Fl 4, 4). Não se pode comandar a alegria. Somente pode ser dada. O Senhor ressuscitado nos dá a alegria: a verdadeira vida. Já estamos protegidos para sempre guardados no amor daquele a quem foi dado todo o poder no céu e na terra (cf. Mt 28,18). Assim, seguros de ser escutados, peçamos como diz a oração sobre as oferendas que a Igreja eleva nesta noite: Acolhei, ó Deus, com estas oferendas as preces do vosso povo, para que a nova vida, que brota do mistério pascal, seja por vossa graça penhor da eternidade. Amém.

domingo, 4 de abril de 2010

TEM INCIO O ANO DA VISITAÇÃO


Tem inicio hoje na Paróquia de São Sebastião de Florânia o Ano da visitação que se estenderá até o dia 09 de abril de 2011. Teremos várias atividades voltadas para a celebração da visitação de Nossa Senhora das Graças que acontecerá de maio a outubro nas familias dizimistas de nossa comunidade. A última vez que a imgem de Nossa Senhora desceu do Santuário para visitação se deu quando o Pe. Estanislau ainda vivia entre nós. Com Pe. Cortez a visitação aconteceu uma vez na zona rural do nosso município. Além da zona urbana a imagem de Nossa Senhora das Graças também visitará os dizimistas da Vila Jucuri.

Durante o mês de abril a programação será:
  • Cenáculo com Maria nos Setores Missionários de Domingo a Sexta-Feira (Recitação do terço, leitura e meditação da palavra de Deus);

  • No sábado dia 10/04 teremos Oficio da Imaculada Conceição na Cruz das Santas
    Missões que fica na Praça em frente ao Fórum da nossa cidade, às 19h.

  • No sábado dia 17/04 acontecerá o Oficio da Imaculada Conceição na Praça Mãe Santa, às 19h.

  • No sábado dia 24/04 o Oficio será na Praça da Coab, às 19h.

Participe conosco das atividades do Ano da Visitação.

SEMANA SANTA: GRANDE DOMINGO DE PÁSCOA

A Ressurreição e a vitória de Cristo é reafirmada nesta manhã. O evangelho é lido em diversos idiomas para mostrar a universalidade da Boa Nova da Ressurreição a todos os povos da Terra. Amor, perdão, reconciliação, triunfo e alegria são os dons que recebemos, pois Cristo viveu, morreu e triunfou por nossa salvação.
A todos vocês que diáriamente buscam neste blog uma palavra de esperança, de paz, vida, perdão, encontro com Deus .... uma feliz e abençoada Páscoa. Que os próximos 50 dias possam resplandecer uma vida nova em nossa casa, trabalho, comunidade de fé.
que Deus nos abençoe hoje e sempre. Leve a todos a boa nova: Cristo ressuscitou, aleluia!

SEMANA SANTA: VIGÍLIA PASCAL

Que está aconteceu ontem? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos. Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: "O meu Senhor está no meio de nós". E Cristo respondeu a Adão: "E com teu espírito". E tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: 'Saí!' ; e aos que jaziam nas trevas: 'Vinde para a luz!'; e aos entorpecidos: 'Levantai-vos!' Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos morotos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só é indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim no paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o meio dos céus preparado para ti desde toda a eternidade".

De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo
Fonte: Liturgia das Horas

SEMANA SANTA : SEXTA-FEIRA SANTA


Paixão do Senhor

Do Evangelho de S. Marcos 15, 33-34.37.39

"Chegado ao meio-dia, houve trevas por toda a terra, até às três da tarde. Às três horas, Jesus exclamou em alta voz: "Eloì, Eloì, lema sabactàni?" que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste? (...) Soltando um grande brado, Jesus expirou. (...) Ao vê-Lo expirar daquela maneira, o centurião, que se encontrava em frente d'Ele, exclamou: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus".

Eis o agir mais alto, mais sublime do Filho em união com o Pai. Sim, em união, na mais profunda união... precisamente quando grita: "Eloì, Eloì, lema sabactàni?", "Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?" (Mc 15, 34; Mt 27, 46). Este agir exprime-se na verticalidade do corpo estendido ao longo da trave perpendicular da Cruz com a horizontalidade dos braços estendidos ao longo do madeiro transversal. A pessoa que olha estes braços pode pensar com quanto esforço eles abraçam o homem e o mundo. Abraçam.

Eis o homem. Eis o próprio Deus. "N'Ele (...) vivemos, nos movemos e existimos" (Ato 17, 28). N'Ele, nestes braços estendidos ao longo da trave horizontal da Cruz. O mistério da Redenção.
Jesus, pregado na Cruz, imobilizado nesta terrível posição, invoca o Pai (cf. Mc 15, 34; Mt 27, 46; Lc 23, 46). Todas as suas invocações testemunham que Ele está unido com o Pai. "Eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30); "Quem Me vê, vê o Pai" (Jo 14, 9); "Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho" (Jo 5, 17).

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS


Da Homilia sobre a Páscoa, de Melitão, bispo de Sardes
(Séc.II)


O louvor de Cristo

Prestai atenção, caríssimos: o mistério pascal é ao mesmo tempo novo e antigo, eterno e transitório, corruptível e incorruptível, mortal e imortal. É mistério antigo segundo a Lei, novo segundo a Palavra que se fez carne; transitório pela figura, eterno pela graça; corruptível pela imolação do cordeiro, incorruptível pela vida do Senhor; mortal pela sua sepultura na terra, imortal pela sua ressurreição dentre os mortos.
A Lei, na verdade, é antiga, mas a Palavra é nova; a figura é transitória, mas a graça é eterna; o cordeiro é corruptível, mas o Senhor é incorruptível, ele que,imolado como cordeiro, ressuscitou como Deus. Na verdade, era como ovelha levada ao matadouro, e contudo não era ovelha; era como cordeiro silencioso (Is 53,7), e no entanto não era cordeiro. Porque a figura passou e apareceu a realidade perfeita: em lugar de um cordeiro, Deus; em vez de uma ovelha, o homem; no homem, porém, apareceu Cristo que tudo contém.
Por conseguinte, a imolação da ovelha, a celebração da páscoa e a escritura da Lei tiveram a sua perfeita realização em Jesus Cristo; pois tudo o que acontecia na antiga Lei se referia a ele, e mais ainda na nova ordem, tudo converge para ele.
Com efeito, a Lei fez-se Palavra e, de antiga, tornou-se nova (ambas oriundas de Sião e de Jerusalém); o preceito deu lugar à graça, a figura transformou-se em realidade, o cordeiro em Filho, a ovelha em homem e o homem em Deus. O Senhor, sendo Deus, fez-se homem e sofreu por aquele que sofria; foi encarcerado em lugar do prisioneiro, condenado em vez do criminoso e sepultado em vez do que jazia no sepulcro; ressuscitou dentre os mortos e clamou com voz poderosa: “Quem é que me condena? Que de mim se aproxime (Is 50,8). Eu libertei o condenado, dei vida ao morto, ressuscitei o que estava sepultado. Quem pode me contradizer? Eu sou Cristo, diz ele, que destruí a morte, triunfei do inimigo, calquei aos pés o inferno, prendi o violento e arrebatei o homem para as alturas dos céus. Eu, diz ele, sou Cristo. Vinde, pois, todas as nações da terra oprimidas pelo pecado e recebei o perdão. Eu sou o vosso perdão, vossa páscoa da salvação, o cordeiro por vós imolado, a água que vos purifica, a vossa vida, a vossa ressurreição, a vossa luz, a vossa salvação, o vosso rei. Eu vos conduzirei para as alturas, vos ressuscitarei e vos mostrarei o Pai que está nos céus; eu vos levantarei com a minha mão direita”.

sábado, 3 de abril de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS


De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo
(Séc.IV)

A descida do Senhor à mansão dos mortos Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos. Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.
O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’ Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa. Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado. Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti. Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

PROCISSÃO DO FOGARÉU EM FLORÂNIA

A meia noite da quinta-feira santa os homens de Florânia se reunem para a procissão
do fogaréu.

Saindo da Igreja Matriz em direção a Igreja do SS. Sacramento e ao som de tambores.

Na Igreja do SS. Sacramento acontece a prissão de Jesus e a procissão retorna a Matriz.

SEMANA SANTA - QUINTA-FEIRA SANTA (3)


Transladação do Santíssimo

A transladação do Santíssimo tem notícias históricas desde o século II. Mas o rito da adoração, na quinta-feira santa entrou na Igreja a partir do século XIII e foi difundindo-se até o século XV. O que mais impulsionou foi a devoção ao Santíssimo Sacramento, a partir da segunda metade do século XIII, época em que o Papa Urbano IV decretou a festa de Corpus Christi para toda a Igreja (em 11 de agosto de 1264). Foi, portanto, a prática devocional da eucaristia a principal responsável para a adoração ao Santíssimo na quinta-feira santa, após a missa da Ceia do Senhor. O rito atual é muito simples e tem o seguinte significado: após a oração depois da comunhão, o Santíssimo é transladado solenemente em procissão para uma capela lateral ou para um dos altares laterais da igreja, devidamente preparado para receber o santíssimo. Antes da transladação, o sacerdote prepara o turíbulo e incensa o Santíssimo três vezes. Depois, realiza-se uma pequena procissão dentro da igreja, que é precedida pelo cruciferário (pessoa que leva a cruz processional), velas e incenso. Durante a procissão, canta-se o "Pange Lingua", traduzido em português, "Vamos todos...", exceto as duas últimas estrofes, "tantum ergo" (tão sublime sacramento...) que são cantadas depois da chegada da procissão na capela lateral, onde ficará o Santíssimo. Após a transladação, a comunidade é convidada a permanecer em adoração solene até um horário conveniente. O significado é de ação de graças pela eucaristia e pela salvação que celebramos nestes dias do Tríduo Pascal.

Desnudação do Altar

A desnudação do altar hoje, é um rito prático, com a finalidade de tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus. A desnudação do altar ( denudatio altaris ), ou despojamento, como preferem alguns, é um rito antigo, já mencionado por Santo Isidoro no século VII, que fala da desnudação como um gesto que acontecia na quinta-feira santa. O sacerdote, ajudado por dois ministros, remove as toalhas e os demais ornamentos e enfeites dos altares que ficam assim desnudados até a Vigília Pascal. No antigo rito, durante a desnudação recitava-se um trecho de um salmo. O gesto da desnudação do altar tinha o significado alegórico da nudez com a qual Cristo foi crucificado. O rito atual é realizado de modo muito simples, após a missa. Feito em silêncio e sem a participação da assembléia. As orientações do Missal Romano pedem que sejam retiradas as toalhas do altar e, se possível, as cruzes da igreja. Caso isso não seja possível, orienta o Missal que convém velar as cruzes e as imagens que não possam ser retiradas.(Cf. Missal Romano, p. 253, n. 19). O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa

SEMANA SANTA - QUINTA-FEIRA SANTA (2)


Instituição da Eucaristia

Na véspera da festa da Páscoa, como Jesus sabia que havia chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 12, 1). Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade iam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando antecipadamente a manhã da Ressurreição. Jesus ficou na Eucaristia por amor..., por ti. - Ficou, sabendo como O receberiam os homens... e como O recebes tu. - Ficou, para que O comas, para que O visites e Lhe contes as tuas coisas e, chegando junto do Sacrário e na recepção do Sacramento te enamores mais de dia para dia, e faças com que outras almas - muitas! - sigam o mesmo caminho. Menino bom: como os amantes da terra beijam as flores, a carta, a recordação dos que amam!... E tu? Poderás esquecer-te alguma vez de que O tens a teu lado..., a Ele!? - Esquecerás... que O podes comer? - Senhor, que eu não torne a voar colado à terra!, que esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol - Cristo - na Eucaristia!, que o meu vôo não se interrompa enquanto não alcançar o descanso do teu Coração! Santo Rosário, Apêndice, 5º mistério da luz Comecemos desde já a pedir ao Espírito Santo que nos prepare para podermos entender cada expressão e cada gesto de Jesus Cristo: porque queremos viver vida sobrenatural, porque o Senhor nos manifestou a sua vontade de se dar a cada um de nós em alimento da alma, e porque reconhecemos que só Ele tem palavras de vida eterna. A fé leva-nos a confessar com Simão Pedro: Nós acreditamos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho de Deus. E é essa mesma fé, fundida com a nossa devoção, que nesses momentos transcendentes nos incita a imitar a audácia de João, a aproximar-nos de Jesus e a reclinar a cabeça no peito do Mestre , que amava ardentemente os seus e, como acabamos de ouvir, iria amá-los até o fim. Tenhamos em mente a experiência tão humana da despedida de duas pessoas que se amam. Desejariam permanecer sempre juntas, mas o dever - seja ele qual for - obriga?as a afastar?se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem, como gostariam. Nessas situações, o amor humano, que, por maior que seja, é sempre limitado, recorre a um símbolo: as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, possivelmente uma fotografia, com uma dedicatória tão ardente que é de admirar que o papel não se queime. Mas não conseguem muito mais, pois o poder das criaturas não vai tão longe quanto o seu querer. Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não nos deixa um símbolo, mas a própria realidade: fica Ele mesmo. Irá para o Pai, mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um simples presente que nos lembre a sua memória, uma imagem que se dilua com o tempo, como a fotografia que em breve se esvai, amarelece e perde sentido para os que não tenham sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente presente com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade. É Cristo que passa, 83 Textos de São Josemaría Ceia do Senhor (Lava-pés) Um momento solene No 13º capítulo do seu Evangelho, João fala sobre Jesus fraco, pequeno, que terminará sendo condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora da lei ou um criminoso. Até então, Jesus parecia tão forte, havia feito tantos milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado com autoridade para os escribas e os fariseus. Ele parecia ser um grande profeta, quem sabe até o Messias. O Deus do poder estava com Ele. Mais e mais pessoas estavam começando a segui-lo, esperavam que Ele os libertasse dos romanos, resgatando assim, a dignidade do povo escolhido. O tempo da páscoa estava próximo. A multidão e os amigos dele pensavam: "Será que Ele vai se revelar na páscoa? Então, todos acreditarão nele." Todos esperavam que algo extraordinário acontecesse. No entanto, em vez de fazer algo fantástico, Jesus tomou o caminho oposto, o da fraqueza, o da humilhação, deixando que os outros o vencessem. Este processo de humilhação teve início quando o Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria, e continuou visível para os discípulos no lava-pés. Terminará com a agonia, paixão, crucifixão e morte. O começo deste capítulo é muito solene: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demônio posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de o entregar, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e apegando uma toalha cingiu-se com ela." (Jo 13,1-4). Estas palavras são muito fortes: "Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto..." Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a lavar-lhes os pés, em uma atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão. De joelhos ninguém pode se mover com facilidade nem se defender. João Batista havia dito que ele não era digno nem de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1,7). No entanto, Jesus se ajoelha em frente a cada um de seus discípulos. Os primeiros cristãos devem ter cantado o mistério de Jesus, que se desfez da sua glória e se fez fraco, como encontramos nas palavras de S. Paulo aos Filipenses: "O qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,6-8) Nós estamos frente a um Deus que se torna pequeno e pobre, que desce na escala da promoção humana, que escolhe o último, que assume o lugar de servo ou escravo. De acordo com a tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai. .

SEMANA SANTA - QUINTA- FEIRA SANTA (1)


Decoração da Igreja Matriz de São Sebastião para a Missa da Ceia do Senhor.

Bênção dos Santos Óleos

Na Quinta-feira Santa, óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação. Essa Celebração aconteceu na Catedral de Santana em Caicó.

Sempre que houver celebração com óleo, deve estar à disposição do ministro uma jarra com água, bacia, sabonete e toalha para as mãos. Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos.

Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia.

O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

PROCISSÃO DO ENCONTRO EM FLORÂNIA




SEMANA SANTA - QUARTA-FEIRA SANTA


Procissão do Encontro Jesus e Nossa Senhora das Dores

Dentro da Semana Santa, também chamada de “A Grande Semana”, em muitas paróquias, inclusive a nossa de São Sebastião de Florânia, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” entre: Jesus e Nossa Senhora das Dores. Na nossa cidade iniciada pelo Pe. José Dantas Cortez.
Inicialmente os homens saiam de uma igreja (Igreja do SS. Sacramento) com a imagem de Jesus e as mulheres saem de outra igreja com Nossa Senhora das Dores (da Matriz). Acontece então o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre, então, proclama o célebre Sermão das Sete Palavras, que na verdade são sete frases:

1. Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34 a); 2. Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,43); 3. Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe. (Jo 19,26-27); 4. Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?! (Mc 15,34); 5. Tenho sede. (Jo 19,28 b); 6. Tudo está consumado. (Jo 19,30 a); 7. Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23,46 b).

O sacerdote, diante das imagens, faz uma reflexão com estas frases, chamando o povo à conversão e à penitência.

A expressão dos rostos das imagens é de dor e sofrimento. Algumas imagens de Nossa Senhora das Dores mostram-na abraçada a uma espada, lembrando certamente a profecia de Simeão: “Uma espada de dor te traspassará a alma”.

Na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, podemos ver uma emocionante imagem de Nossa Senhora das Dores. No local onde, segundo a tradição, foi colocado Jesus crucificado, tem um buraco no chão. Onde foi colocada a cruz de Jesus, está embaixo um altar. A gente precisa ajoelhar-se para colocar a mão lá dentro. Imagine a emoção...
Só que antes de chegar a este lugar santo, a gente passa em frente à imagem de Nossa Senhora das Dores. Belíssima... Quem a fez conseguiu como que umedecer o seu rosto, e é como se ela estivesse chorando, mas com o rosto sereno. Sofrido, mas sereno.

É tudo isso que vivemos neste tempo de profunda reflexão. Nossa fé é pascal, passa pelo sofrimento, morte e ressurreição do Senhor.
Sigamos os passos de Jesus, sempre com Maria.

DOMINGO DE RAMOS EM FLORÂNIA

Mesmo sendo um domingo chuvoso o povo de Florânia lotou a Igreja Matriz de São Sebastião para Celebrar a abertura da Semana Santa.

As fotos de Zwingla Teônia, revelam que o costume de confeccionar cruzes e outros enfeites com os ramos que foram abençoados, continua um costume forte na cidade de Florânia.

Ramos


SEMANA SANTA - DOMINGO DE RAMOS

Recebi nos últimos dias vários e-mails pedindo explicações sobre o sentido dos dias da Semana Santa. Atendendo a pedidos segue uma série com os pricipais eventos da Semana. Se você deseja que o nosso blog fale sobre um assunto expecífico envie seu pedido para o e-mail: joseilzon.lima@gmail.com ou deixe um recado no nosso mural de recados que atenderemos o seu pedido com muita alegria.

Entrada de Jesus em Jerusalém

A comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém, com a bênção e a procissão dos ramos, supõe a proclamação do Evangelho, que dá sentido ao ato litúrgico (Mt 21,1-11). O louvor público é o reconhecimento messiânico da pessoa de Jesus (v.9), pela explicação bíblica, mais fácil, da relação do Messias com a dinastia davídica. De fato, a saudação messiânica Hosana ao Filho de Davi (v.9a), no ato de bendizer o que vem em nome do Senhor (v.9b), é a confirmação do oráculo de Natã (2Sm 7,16), através do qual o povo espera e reconhece a chegada daquele descendente privilegiado, cujo trono seria estável ou permanente.

Entretanto, Jesus parece preferir servir-se de outros textos escriturísticos para se deixar reconhecer como Messias. Ao querer montar no jumento para entrar na cidade (vv.2-3), assume a missão messiânica, descrita por Zacarias: Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, filho de uma jumenta (v.5; cf. Zc 9,9-10).

Ao contrário das expectativas normais de um rei poderoso e guerreiro, Jesus opta por um messianismo anti-messiânico, por colocá-lo na via humilhante de contradição: mansidão, pobreza, serviço. Escolhendo o jumento, não só relega o simbolismo do cavalo, animal de porte e de guerra, expressão régia do poder, do comando, da fortaleza, da nobreza e da beleza, mas também opta pelo seu contrário, que é a manifestação da onipotência na fragilidade e da glória na humilhação. Esta contradição, presente na entrada triunfal em Jerusalém, é a própria maneira como, em obediência ao plano do Pai, exercerá nesta mesma cidade da paz, a obra maior da libertação e da redenção dos homens, através do caminho da cruz.

O contraste da cena do Messias, aclamado pelo povo como descendente de Davi e montado burlescamente no jumento, se evidencia no conjunto da própria Liturgia de hoje, simultaneamente de Ramos e da Paixão. Com efeito, cessado o aspecto triunfal da comemoração da entrada em Jerusalém, a Liturgia da Missa realça apenas o caminho escolhido por Jesus para realizar sua messianidade: a entrega à morte, e morte de cruz. O mesmo povo que o aclamara, aparece, então no processo de sua condenação.

Este ato contraditório se explica pelo messianismo anti-messiânico, ligado à pregação e irrupção do Reino, que contraria os interesses dos poderosos. Rejeitando-se o Messias, sua pessoa e sua mensagem, rejeita-se também o Reino que veio instaurar através dos meios pobres, mas eficazes, que escolhera. A cruz e a morte se colocam, então, no horizonte desta recusa do projeto messiânico: o caminho do amor que se doa a Deus e aos homens, em prol da justiça e da paz, através da mansidão e da humildade.

VIA SACRA NA IGREJA DO SS. SACRAMENTO

Como acontece todos os anos os Grupos de Jovens e a Renovação Carismática realizaram a via-sacra na Igreja do SS. Sacramento. O Ponto alto foi a ressurreição de Jesus.

RCC, Shalom e Rainha da Paz reviveram os últimos passos de Jesus através da Via-Sacra.

A dor de Maria seja também a nossa dor nos dias de hoje ao ver que Jesus continua a sofrer e morrer na vida de muitos irmãos e irmãs,

A Campanha da Fraternidade 2010 fez soar a todos os cantos que a Econômia deve ser praticada de forma que valorize e priorize a vida. E o que vemos é uma econômia que crucifica a muitos.

O Cireneu deve refletir a cada um de nós nos dias de hoje, que ajudamos o Cristo a carregar a cruz do desemprego, da falta de moradia, da doença, da violência.... Amar a Deus e ao próximo, via de mão dupla.




sexta-feira, 2 de abril de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS


Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo
(Séc.IV)

O poder do sangue de Cristo

Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe. Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício. De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa. Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte. Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu o novo nascimento.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS


Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero

(Séc.XIII)

Ó precioso e admirável banquete!

O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses. Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados. Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida.
Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus,
que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento? De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais. É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos. Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão. Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai. A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS

Caros irmãos, nesses dias grandes da semana santa do tríduo pascal da ressurreição do Senhor, apresento para vocês, não as minhas reflexões, mas algumas reflexões do Magistério da Igreja, expressa através de seus santos
Um boa meditação para todos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS

Mt 26, 14-25

“Fixaram com ele, o preço de trinta moedas de prata”

Quanto sofreu nosso Senhor por nossa salvação. Judas o traiu de modo desumano. O preço foi de trinta moedas de prata. Esse valor era o equivalente a vida de um escravo. Na verdade, como diz a carta aos Filipenses: “Ele assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhantes” (Fl 2, 7). Cristo quis se rebaixar ao máximo, para poder elevar-nos ao ponto mais alto da humanidade: aquilo que ele fez e que ele pregou. Assumindo a nossa condição de escravos, ele nos tornou livres para Deus e para os irmãos. Livres do poder do maligno. E de que modo? Quando morreu por nós, Ele que não tinha pecado, pagou pelos meus pecados e se ofereceu a Deus, por isso “Deus o exaltou de modo admirável e lhe concedeu um nome que está acima de todos os nomes” (Fl 2, 9). Se Cristo quis morrer por nós, não desejará também nos dá a vida? Ele nos mostrou o caminho para a vida: o Amor. Foi por amor que salvou a humanidade; é retribuindo esse amor que nós nos seremos salvos. Portanto, irmãos e irmãs, “Amemo-nos uns aos outros” (1 Jo 4, 7) porque foi isso que Ele nos mandou fazer!
E que seu Espírito esteja sempre conosco!

terça-feira, 30 de março de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS

Jo 13, 21-33.36-38

“Senhor, quem vais te trair?”

Irmãos e irmãs, nessa terça-feira santa a Igreja nos propõe meditar sobre o momento no qual Jesus apresenta aquele que iria o trair e aquele que iria o negar.
Sem conhecermos o contexto da cultura judaica, podemos cometer o erro de achar que Jesus denuncia Judas como traidor e o manda se afastar dele. Mas, o texto nos propõe outra meditação. Era um costume judaico, usado durante a refeição, de se dá uma prova de amizade a alguém “molhando o pão e entregando” a pessoa. Assim, ao invés de condenar, Jesus está pela última vez declarando o seu divino amor incondicional a Judas e afirmando a ele, que mesmo que o traia ele ainda será um discípulo amado. Por isso, Jesus propõe: “o que tens de fazer, faze-o depressa”, – decide-te homem, se vais colocar seu plano para a frente ou se vais me ser fiel – é a proposta de Jesus.
Mas aqui nesse texto aparece também outro personagem importantíssimo: Pedro. Jesus profetiza que Pedro o negará, três vezes o negará. Qual a diferença entre Pedro e Judas? O que os torna tão profundamente diferente em seus corações? Os dois traíram Jesus! Judas o entregou, mas Pedro fez pior, disse que não o conhecia. Qual a diferença? Judas não confiou na misericórdia de Deus depois que cometeu o erro; Pedro, chorou de arrependimento, e voltou para os braços de Jesus.
Meu irmão, minha irmã, você pode até ter traído os mandamentos de Jesus, ou até mesmo o negado, mas se você quiser, e se arrepender ele te acolherá.
Que Deus ilumine a todos nós e nos dê a virtude do arrependimento!

segunda-feira, 29 de março de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS

Jo 12, 1-11

“Ela guardou esse perfume para o dia da minha sepultura”

No Evangelho de hoje, João nos narra o dia que equivale ao de hoje nos últimos dias de Jesus. De fato, estamos a seis dias do dia que Jesus morreu, ou seja, o sábado da páscoa dos judeus naquele ano. Nessa segunda-feira santa, somos convidados a nos prepararmos intensamente para celebrar o mistério do Cristo que por nós padeceu, morreu e ressuscitou.
Vemos hoje, Maria, irmã de Lázaro, derramar sobre Jesus um vaso de perfume de nardo puro, que custava cerca de 300 moedas de pratas. O salário mínimo do tempo de Jesus seria 30 moedas de prata. Isso gera um valor para nós de R$ 5150,00. Era um perfume bem caro mesmo. Mas o que isso significa? Se você amasse muito alguém e soubesse que estava vendo aquela pessoa pela última vez, o que você ofereceria a ela? Com certeza o melhor que você possuísse. Maria ofertou o que de melhor ela possuía.
Nesta semana contemplamos o maior presente de amor de Deus para a humanidade. Ele nos deu seu próprio Filho (o melhor que ele possuía) e espera de nós uma resposta. Que possamos agradecer a Deus e retribuir-lhe com o que possuímos de melhor: nosso amor e nossa vida.
Um santa e feliz semana santa.

sexta-feira, 26 de março de 2010

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS

(Jo 10, 31-42)

“Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais?”

A palavra de Jesus foi forte de mais para os judeus, de modo que, mesmo vendo as obras maravilhosas boas que ele fazia, não puderam aderir às verdades que ele ensinava. Nós cometemos o mesmo pecado que os judeus. Muitas vezes construímos um deus para nós, que é apenas um deus milagreiro, e acreditamos piamente nesse deus, contudo, um deus que não nos fala, não nos cobra e não nos pede uma resposta, uma ação. Os judeus quiseram as obras de Jesus, disseram em outras palavras, vamos te apedrejar não pelas obras, mas pelo que tu disseste. Nós sempre invocamos a Deus pedido e, às vezes, exigindo seus milagres; que Ele cure uma pessoa enferma de nossa família ou mesmo que realize algo que eu estou precisando muito. Claro que não tem nenhum problema pedir a Deus que realize milagres na nossa vida e entregar o cuidado dela a Ele. Mas devemos ter consciência que Deus também nos exige através de sua lei e de seus mandamentos. Bom exemplo, é que estamos no fim da quaresma, e como anda a nossa vida? Nós praticamos mais caridade? Rezamos mais? Fizemos alguma penitencia?
Que Deus seja para nós o Deus dos milagres e que nós sejamos para Ele filhos obedientes!
Paz e bem!

SEMANA DA CIDADANIA


As Pastorais da Juventude do Brasil (PJB) vão realizar entre os dias 14 e 21 de abril a Semana da Cidadania. Trata-se de uma programação especial que integra as “Atividades Permanentes” das PJB, juntamente com a Semana do Estudante, que acontece em agosto; e o Dia Nacional da Juventude, que ocorre em outubro. Para a organização da Semana, já está disponível no site da CNBB o material completo de apoio. A versão impressa pode ser solicitada pelos regionais e dioceses através do e-mail juventude2@cnbb.org.br
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
De acordo com as Pastorais da Juventude do Brasil, a Semana da Cidadania tem por objetivo fazer com que a juventude reflita em grupo algumas questões do seu cotidiano e se organize em torno de um projeto de mundo sadio, fazendo coisas concretas, em comunhão com as Igrejas e com as organizações que partilham do mesmo sonho.
Em 2010, a Semana da Cidadania conta com o tema “Trabalho para a vida, não para a morte” e o lema “Juventude, suando e sonhando, em marcha contra a violência”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade e com a Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens.
“O foco da programação é direcionada ao sentido do trabalho para a vida da juventude e à reflexão sobre o trabalho como uma oportunidade de geração não só de renda, mas de vida plena”, explicam os organizadores.

quinta-feira, 25 de março de 2010

COMPLETADOS 30 ANOS DO ASSASSINATO DE DOM ROMERO EM EL SALVADOR


Seu processo de beatificação está na fase romana

Por Gilberto Hernández García

Em 24 de março se completam 30 anos desde o dia em que Dom Oscar Arnulfo Romero, à época arcebispo de San Salvador, foi morto a tiros sobre o altar enquanto celebrava a Eucaristia na capela do hospital para doentes de câncer Divina Providência, na capital salvadorenha.
Em 15 de agosto do ano passado, data em que Dom Romero completaria 92 anos, a Igreja Católica de El Salvador realizou uma série de atividades comemorativas sobre o tema “dom Romero, esperança das vítimas”, que incluíram, além de um congresso teológico, uma série de conferências, peregrinações, marchas, celebrações litúrgicas, emissão de selos comemorativos estampados com sua imagem, exibições de filmes, a tradicional vigília da luz e outras iniciativas.
“Celebrar a memória de Romero é resgatar seus apelos pela transcendência, pela recusa dos novos ídolos que assolam nossa sociedade atual, por assumir nossa fé com uma profunda dimensão histórica, para reconhecer na antiga e na moderna face da exclusão a face de Deus”, declarou a Fundação Romero em um comunicado.
Ao lado das vítimas
O cardeal Roger Etchegaray, presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz, no prefácio do livro “Oscar Romero: um Bispo entre a guerra fria e a Revolução”, afirma que o arcebispo salvadorenho “foi assassinado por denunciar a violência das partes envolvidas” na guerra civil que opôs o governo e a guerrilha.
“Foi morto em uma sociedade que mergulhava confusamente na guerra civil, porque há muito se havia frustrado os anseios por justiça, e ambas as partes não viam outro caminho a tomar que não o das armas”.
“Após ter dedicado toda a sua vida a servir a Deus, Romero tornou-se um profeta da justiça e da paz. Suas homilias, transmitidas por rádio, eram acompanhadas por todo o país, tanto por seus amigos como por seus adversários, porque Romero dizia a verdade... porque era uma voz humana, religiosa, fraterna. [...] Considerava seu dever falar com determinação a favor da paz, da justiça e da reconciliação”.
Dom Vincenzo Paglia, bispo de Terni-Narni-Amelia, postulador da causa de beatificação do bispo salvadorenho, disse que há dois anos ao "L'Osservatore Romano" que “Dom Romero foi vítima da polarização política, que não deixava espaço para sua caridade e pastoralidade”.
“Contrário à violência, tanto por parte do governo militar como a da guerrilha, viveu, na condição de pastor, o drama de seu rebanho”.
Falando ao periódico vaticano, o prelado acrescentou ainda que Dom Romero contava com a solidariedade de dois Pontífices, Paulo VI e João Paulo II, conforme documentado em seu próprio diário, o que representa um ponto favorável no processo de beatificação.
Dom Paglia lembrou que João Paulo II reconheceu publicamente sua figura ao visitar sua tumba, bem como quando o citou entre os mártires do século XX, orando “pelo inesquecível Dom Oscar Romero, assassinado sobre o altar”.
O Dia de Dom Romero
No contexto do 30º aniversário do assassinato, a Assembléia Legislativa de El Salvador aprovou, em 4 de março, um decreto que institui o dia 24 de março como “Dia de Dom Oscar Romero”, com o apoio da Igreja Católica, das Igrejas históricas presentes no país e de diversas organizações sociais.
A causa de beatificação de Oscar Arnulfo Romero, cujos restos mortais jazem na Catedral metropolitana da capital salvadorenha, iniciou sua fase diocesana em 1994, que foi concluída em 1996.
O processo foi então apresentado à fase vaticana no mesmo ano, e, em 1997, foi recebido por Roma o decreto por meio do qual a causa era oficialmente aceita como válida, uma vez que todos as etapas anteriores haviam sido cumpridas segundo as normas estabelecidas.

CINCO ANOS SEM JÃO PAULO II

Papa presidirá Missa no 5º aniversário de falecimento de João Paulo II

Na Segunda-Feira Santa, no Vaticano

No dia 29 de março, às 18h, Bento XVI presidirá, na Basílica Vaticana, a Santa Missa pelo 5º aniversário de falecimento de João Paulo II, como anunciou Dom Guido Marini, mestre das celebrações litúrgicas pontifícias.
Na verdade, Karol Wojtyla faleceu em 2 de abril de 2005, mas este ano a data coincide com a Sexta-Feira Santa, motivo pelo qual a Missa de sufrágio do Sumo Pontífice foi antecipada para a Segunda-Feira Santa.
Durante a oração dos fiéis desta Celebração Eucarística, está previsto que se eleve, em polonês, a seguinte súplica: “Pelo venerável Papa João Paulo II, que serviu a Igreja até o limite das suas forças, para que, do céu, interceda para infundir a esperança que se realiza plenamente participando da glória da ressurreição”.
Também se rezará em alemão por Bento XVI, “para que continue, seguindo os passos de Pedro, desempenhando seu ministério com perseverante mansidão e firmeza, para confirmar os irmãos”.
Em espanhol se rezará depois “pelos que estão reunidos para recordar o Papa João Paulo II, para que saibam amar e servir a Igreja como ele a amou e serviu, dando testemunho da fé em Deus e oferecendo seu amor a todos”.

REFLEXÃO SOBRE A PALAVRA DE DEUS


Lc 1, 26-38

“Eis que conceberás e darás à luz um filho, e ele será chamado Emanuel”

Caros irmãos e irmãs, salve Maria!

Hoje festejamos a Solenidade da Anunciação do anjo a Nossa Senhora. A Igreja suspende hoje o espírito da quaresma, para festejar o dia em que Maria concebeu Jesus pela ação do Espírito Santo.
O Evangelho nos narra a conversa que São Gabriel teve com a Virgem e seu anúncio da escolha dela por parte de Deus Pai, para ser a mãe do salvador. Diz o Catecismo da Igreja Católica que com a anunciação a Maria inaugura-se a plenitude dos tempos, ou seja, o cumprimento da promessa que Deus fez a toda a humanidade em Abraão (CIC 484). É que Jesus, a nossa salvação, se encarnou através do sim de Maria e a nossa redenção dependeu desse “sim” pronunciado pela boca da Santíssima Virgem.
Esse mistério é tão grande! Como pode aquele que o universo não contém, caber no seio de uma mulher? Deus que é criador se tornar criatura? Perguntamos: por quê? E a resposta nos dá São João “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho único, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Essa foi a razão, Deus amou tanto o mundo que quis redimi-lo, trazer os homens de volta ao convívio com ele, fazê-los livres do pecado, para que pudessem viver a vida de Deus.
Agradeçamos por tão grande amor!

MENSAGEM DO VATICANO NO SEU TWITTER

Santa Sé continua desembarcando nos novos meios digitais

Por Jesús Colina

Sem comunicados oficiais de lançamento, o canal vaticano no Twitter já contava com milhares de seguidores, apenas 3 dias depois da sua criação.
Em geral, as iniciativas da Santa Sé nos novos meios de comunicação digitais costumam gerar um notável interesse entre os correspondentes de Roma, como ocorreu há pouco mais de um ano, com o canal no YouTube. No entanto, o desembarque no Twitter foi menos percebida, já que aconteceu ao mesmo tempo que a apresentação da Carta pastoral de Bento XVI aos católicos da Irlanda sobre os abusos sexuais, no dia 20 de março, que, logicamente, atraiu a atenção.
“Bento XVI destinará a coleta da Missa da Ceia do Senhor à reconstrução do seminário do Haiti” foi o último dos 11 tuítes publicados – boa parte deles dedicados à carta do Santo Padre aos irlandeses.
Até o fechamento desta edição, o canal em inglês do Vaticano (news_va_en) contava com 1534 seguidores; o canal em espanhol (news_va_es), com 1.182; em português (news_va_pt), 958; em francês (news_va_fr), 287; em italiano (news_va_it), 146; e em alemão (news_va_de), 81. O aumento destes números é rápido e quando o leitor vir esta notícia, certamente constatará um importante incremento.
A grande diferença com relação a qualquer outro canal no Twitter é que os canais linguísticos do Vaticano não têm seguidos, apenas seguidores; dessa maneira, evitam fazer propaganda institucional, por parte da Santa Sé, de qualquer outro canal da rede social.
Trata-se de um novo instrumento instantâneo de comunicação que tem como site de referência a Rádio Vaticano (http://rv.va), mas que, além disso, divulga informação do site do Vaticano (www.vatican.va).
E já que este último é um poço sem fundo de documentação, no qual o navegante recém-chegado pode perder-se facilmente ao buscar informação de atualidade, por ocasião da apresentação da carta do Papa à Irlanda foi lançado um novo site da Santa Sé para navegar na internet: www.resources.va.
O site não apresenta somente a carta do Papa, mas oferece também toda a documentação em texto e vídeo sobre os pronunciamentos de Bento XVI e da Santa Sé sobre pederastia. No futuro, contará também com documentos e informação sobre os grandes acontecimentos da vida do Papa e da Santa Sé.
Estas iniciativas são possíveis graças à sinergia entre colaboradores de Bento XVI no campo da comunicação, seja na Secretaria de Estado, no Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais ou nos diferentes meios de comunicação “clássicos” do Vaticano.O principal coordenador do lançamento no Twitter e do novo site do vaticano é o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, da Rádio Vaticano, do Centro Televisivo Vaticano e membro do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

quarta-feira, 24 de março de 2010

ATITUDES ATUAIS DE UM SACERDOTE BOM PASTOR

Dom José Policarpo proferiu catequese no quinto domingo da Quaresma
Um desafio do Ano Sacerdotal é “fazer com que os sacerdotes sejam, em tudo e sobretudo, pastores do Povo que lhes foi confiado”.
Essa foi a indicação dada pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, ontem, na Sé Patriarcal, na catequese do quinto domingo da Quaresma, em que o purpurado discutiu a atitude sacerdotal de Jesus Cristo ligada à imagem do Bom Pastor.
“Tanto no Antigo como no Novo Testamento a designação de Deus como Pastor do seu Povo exprime, em linguagem tocante e significativa, o intenso amor de Deus pelo seu Povo, define a salvação e o sacrifício que no-la mereceu como ato de amor, de um amor intenso e levado ao extremo”, explica o cardeal.
Cristo “é Sacerdote porque nos salvou; e salvou-nos porque nos amou até ao limite, até ao dom da própria vida. Ele é o Sumo Sacerdote do novo Povo de Deus porque é o seu Bom Pastor”.
Segundo Dom José Policarpo, ligar o sacerdócio de Cristo ao seu amor de Bom Pastor “ajuda a viver cada momento sacerdotal da Igreja como expressão da intensidade atual do amor com que Deus nos ama, em Jesus Cristo”.
“Esta perspectiva do Pastor pode inspirar toda a renovação pastoral na forma de exercer, atualmente, o ministério sacerdotal. Essa pode transformar-se na grande interpelação do Ano Sacerdotal: fazer com que os sacerdotes sejam, em tudo e sobretudo, pastores do Povo que lhes foi confiado.”
O Patriarca de Lisboa enumerou “as atitudes atuais de um sacerdote bom pastor, até para as transformarmos em prece, quando rezamos pelos nossos sacerdotes”.
Um bom pastor “é alguém que guia, que tem a coragem de indicar, à luz da fé, o caminho a seguir. Sabe dizer a verdade com amor. Um bom pastor é um amigo da vida. Ele deve abrir para os outros as fontes da vida eterna”.
“Um bom pastor é aquele que não fica prisioneiro daqueles que o rodeiam sempre, mas vai à procura dos que se desviaram ou nunca vieram; é aquele que, sem desprezar ninguém, dá um lugar especial no seu coração aos pobres, aos pequeninos, aos mais fracos.”
“Um bom pastor é alguém que vigia, está atento, avisa dos perigos; um bom pastor não se apascenta a si mesmo, não usa o seu ministério para proveito próprio; um bom pastor conhece as suas ovelhas.”
“É sobretudo quando celebramos a Eucaristia e damos atualidade à ação sacerdotal de Cristo, que somos os pastores que Ele deseja para o seu Povo. Isso exige que, na nossa vida, nos tornemos ‘modelos do rebanho’”, afirma Dom José Policarpo.

BENTO XVI CONTRÁRIO À CULTURA D SILÊNCIO

Bento XVI, sempre contrário à cultura do silêncio

Porta-voz do Vaticano comenta a Carta do Papa aos católicos irlandeses
Com relação aos casos de abusos por parte de sacerdotes, Bento XVI esteve sempre empenhado contra a cultura do silêncio, afirmou o diretor da Sala de Imprensa vaticana, o padre Federico Lombardi S.J., em seu briefing de apresentação aos jornalistas da carta do Papa endereçada aos católicos da Irlanda.
“Verdade”, “consciência”, “dor”, “conversão”, “empenho”: estas são as palavras-chave com as quais o porta-voz falou do documento.
“É um documento que não procura por desculpas, é honesto e sincero” – explicou o padre Lombardi. “A carta pastoral permanece muito honesta e lealmente concentrada sobre a Igreja, sobre as responsabilidades dos membros da Igreja, sobre os sofrimentos causados, e não tenta se eximir do problema”.
O sacerdote jesuíta lembrou em seguida que, antes de publicar esta Carta, o Papa consultou os relatórios irlandeses Ryan e Murphy, e reuniu-se com os bispos do país.
Por este motivo, disse ele, “o Papa não acredita que se trate de algo simples ou rápido, pois declarou: ‘este é apenas um passo num longo caminho’”.
Respondendo às perguntas dos jornalistas, padre Lombardi evidenciou o empenho do Papa em combater a pedofilia na Igreja e sua firme oposição à “cultura do silêncio”, desde de seus tempos de cardeal.
“Aquele que conhece a situação e conhece o trabalho desenvolvido pelo Papa” – disse o porta-voz – “sabe do seu testemunho pela busca de coerência e de clareza, desde sua atuação na Congregação para a Doutrina da Fé”.
A Carta, esclareceu o diretor da Sala de Imprensa, é um documento pastoral, e portanto é claro que não aborda eventuais “decisões sobre demissões de prelados, que competem apenas ao Papa e à Congregação para os Bispos”.
Adicionalmente, evidenciou como a situação da Igreja na Alemanha se diferencia da irlandesa: “na carta, o Papa aborda o problema em geral, mas também o contexto específico da Irlanda, que é diferente do alemão”.
Padre Lombardi enfatizou que todos os membros da Igreja têm o dever de respeitar as leis dos países onde atuam e de colaborar com as autoridades civis.
A Igreja, prosseguiu, apresenta-se como uma autoridade moral, o que faz com que estes crimes se tornem ainda mais graves, quando cometidos por agentes eclesiais.
Ainda durante o briefing, o porta-voz vaticano anunciou a inauguração de uma nova seção no site oficial do Vaticano, www.vatican.va, que reúne diversos documentos pontifícios ligados à questão, bem como uma tradução para a língua inglesa da Crimen sollicitationis.